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Cúpula do Mercosul, sem Milei, debaterá acordos com Japão e Vietnã

Lula irá ao evento, realizado no Paraguai nesta terça-feira

Chanceleres de países do Mercosul, durante reunião em Assunção, na segunda-feira, 29 (Daniel Duarte/AFP)

Chanceleres de países do Mercosul, durante reunião em Assunção, na segunda-feira, 29 (Daniel Duarte/AFP)

Rafael Balago
Rafael Balago

Repórter de internacional e economia

Publicado em 30 de junho de 2026 às 06h03.

O Mercosul fará sua reunião de cúpula nesta terça-feira, 30, em Luque, no Paraguai, com a presença do presidente Lula e a ausência do presidente argentino Javier Milei. Na pauta, há destaque para a negociação de acordos do bloco com o Japão e o Vietnã.

"Anunciamos o início das negociações para um acordo de livre comércio com o Japão, concordamos em iniciar as negociações com o Vietnã, cuja primeira rodada ocorrerá em agosto deste ano em Buenos Aires, e concordamos em avançar com as negociações com a Índia", disse o chanceler argentino Pablo Quirno em mensagem publicada na rede social X, na segunda-feira, 29.

O início das negociações oficiais sobre este acordo com o Japão vem depois de duas reuniões, em janeiro e março deste ano, nas quais o país asiático e os membros do Mercosul - Brasil, Argentina, Uruguai, Paraguai e Bolívia - "trocaram informações sobre áreas de interesse e sensibilidades mútuas", segundo um comunicado do bloco.

Os chanceleres do bloco realizaram reuniões prévias na segunda-feira. Em seu discurso nesta segunda-feira, o ministro brasileiro Mauro Vieira também disse que as negociações para um amplo acordo com o Japão serão iniciadas nesta terça-feira e mencionou outras conversas em curso.

"Ao longo deste semestre, realizamos três rodadas de negociação com o Canadá, um parceiro que, reiteradamente, tem demonstrado interesse no Mercosul; acreditamos que é possível concluir esse acordo até o fim do ano", disse Vieira.

Divergências no bloco

Em seu discurso, Vieira também fez críticas à atuação de países do bloco, que têm buscado acordos de forma unilateral, caso da Argentina, que busca parcerias comerciais com os Estados Unidos.

"Nosso bloco vive um momento paradoxal. Precisamos examinar claramente e com honestidade os fatos e decidir com franqueza qual destino queremos dar ao Mercosul: se avançaremos como união aduaneira – ainda que imperfeita – ou se nossa prioridade não é mais essa", disse o chanceler.

"Assistimos a iniciativas que atentam contra o espírito do Tratado de Assunção [que criou o bloco] e ameaçam a manutenção da tarifa externa comum. Temos tomado conhecimento, por meio de parceiros regionais e, às vezes, pela imprensa, de iniciativas gestadas à margem deste Conselho de Ministros", disse Vieira.

"Essas iniciativas não estão em consonância com as decisões que determinam negociações em conjunto com parceiros externos. Isso não é negativo somente para dentro; manda um sinal errado para os parceiros externos, tanto os que já assinaram acordos como aqueles com quem estamos em tratativas", afirmou.

Em meio às divergências, o presidente argentino Javier Milei não irá à cúpula. Segundo a agência EFE, ele será representado por seu chanceler, Pablo Quirno.

O diplomata argentino disse que o bloco enfrenta "um desafio histórico: abrir-se para o mundo" e afirmou que "tarifas mais simples, convergência regulatória e mais acordos comerciais" são necessários para competir.

Milei recebeu o senador Flávio Bolsonaro em Buenos Aires na segunda-feira, 29, e sugeriu apoio ao rival de Lula na disputa presidencial brasileira.

"A maré azul vem para o Brasil pela mão de Flávio Bolsonaro", escreveu Milei, na rede X, ao repostar uma foto com o senador. Ele se referia à onda de vitórias recentes de partidos de direita no continente, em países como Colômbia, Peru e Chile.

Visita de Lula

Lula deverá fazer uma participação breve no evento e voltar à Brasília no fim da tarde.

Além do líder brasileiro, estarão presentes os presidentes da Bolívia, Rodrigo Paz; do Paraguai, Santiago Peña; e do Uruguai, Yamandú Orsi.

Os presidentes José Antonio Kast, do Chile, e Daniel Noboa, do Equador, também estarão presentes, embora não sejam membros plenos do Mercosul.

O Paraguai ocupa a presidência rotativa do bloco, que será repassada ao Uruguai nesta terça-feira.

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