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Congresso do PC chinês aumenta poder de Xi Jinping em novo mandato

Líder chinês vai inaugurar seu novo governo expandindo o controle estatal sobre a sociedade e a economia

Xi Jinping: líder retirou funcionários com perfis moderados e manteve assessores alinhados às duras políticas diplomática e de segurança (Justin Chin/Getty Images)

Xi Jinping: líder retirou funcionários com perfis moderados e manteve assessores alinhados às duras políticas diplomática e de segurança (Justin Chin/Getty Images)

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Estadão Conteúdo

23 de outubro de 2022, 10h32

O Partido Comunista da China (PCC) reafirmou o domínio do presidente Xi Jinping e lhe deu hoje um terceiro mandato de mais cinco anos. Após uma série de vitórias obtidas no congresso partidário, o líder chinês vai inaugurar seu novo governo expandindo o controle estatal sobre a sociedade e a economia.

Em um conjunto de movimentos colocados em prática durante a reunião partidária que durou uma semana, Xi aposentou dois altos funcionários do governo com perfis mais moderados e manteve assessores alinhados às suas duras políticas diplomática e de segurança nacional. Além disso, o líder chinês não deu nenhuma pista de que pretenda deixar o cargo mesmo ao final de mais um mandato.

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"A China entrou em uma nova era. A era do ‘Xi máximo’", disse Neil Thomas, analista de política chinesa do Eurasia Group. Desde que assumiu a liderança do partido no final de 2012, Xi transformou a China, expurgando potenciais rivais, esmagando a dissidência e reafirmando o papel central do PCC na sociedade.

A pandemia de covid-19 junto à desaceleração econômica, que analistas apontavam como entraves ao novo mandato de Xi, foram deixadas de lado durante o congresso, com o presidente saindo aclamado e pedindo aos membros que continuassem em sintonia com ele "no pensamento, na política e na ação".

De saída

Várias figuras de alto escalão do PCC deixaram seus cargos, o que deve garantir a Xi mais aliados no Comitê Permanente do Politburo, o mais alto órgão decisório do partido. O novo mandato de Xi e sua equipe não devem ser oficialmente confirmados hoje, quando o novo Comitê Central vai se reunir e realizar uma votação secreta. No entanto, a escala da vitória de Xi ficou clara pela composição do Comitê Central, disseram especialistas.

Geralmente, o congresso do PCC é um evento coreografado, mas a saída do inesperada do Grande Salão do Povo, no centro de Pequim do ex-presidente Hu Jintao causou um certo rebuliço. Hu, de 79 anos, estava sentado ao lado de Xi na primeira fila do palco quando foi ajudado a se levantar por um assessor e escoltado para fora do local, sem explicação. Ao ser levado, Hu falou brevemente com Xi e deu um tapinha no ombro do primeiro-ministro Li Keqiang.

Li e dois outros altos funcionários que ascenderam sob o comando de Hu deixaram o Comitê Central, indicando que os três devem se aposentar. Li foi primeiro-ministro, o segundo posto mais importante do país, durante a última década, mas a severa liderança de Xi passou a ofuscá-lo.

Cheng Li, especialista em política chinesa da Brookings Institution, disse que "Xi Jinping consolidou ainda mais o poder quase absoluto ao promover seus protegidos à liderança máxima". "Ao expulsar moderados e potenciais rivais da liderança, Xi transmite suas prioridades gerais para estabilidade sociopolítica, segurança nacional e continuidade política agora e nos próximos anos", afirmou o especialista.

Os mais de 2,3 mil delegados do partido usaram máscaras cirúrgicas ainda sob a política da covid zero. A maioria dos meios de comunicação, incluindo todos os jornalistas estrangeiros, não teve permissão para entrar na primeira parte da reunião quando a votação de ontem ocorreu. O congresso terminou tocando o hino comunista, A Internacional.

(Com agências internacionais)