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Com Groenlândia na agenda, Trump discursa no 3º dia de Davos

Presidente dos EUA fala nesta quarta em meio a ameaças tarifárias ligadas ao controle da Groenlândia

Trump: americano deve se reunir com líderes europeus  (Getty Images)

Trump: americano deve se reunir com líderes europeus (Getty Images)

André Martins
André Martins

Repórter de Brasil e Economia

Publicado em 21 de janeiro de 2026 às 06h00.

O terceiro dia do Fórum Econômico Mundial de Davos será marcado pela participação do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em meio à sua ofensiva pela Groenlândia.

O Republicano falará às 10h no horário de Brasília desta quarta-feira, 21, no evento, um dia após completar um ano de mandato.

Crítico do multilateralismo, uma das bandeiras do Fórum, Trump impôs uma guerra tarifária em prol de um protecionismo da economia americana durante seu primeiro ano na Casa Branca.

Na véspera, em coletiva na Casa Branca, Trump afirmou, com ironia, que é aguardado “com muita expectativa e felicidade, sem dúvida" na Suíça. A tensão ocorre pela intenção de Trump de anexar a Groenlândia ao território americano.

O americano afirmou que realizará uma reunião “com todos os envolvidos” durante o Fórum.

As declarações do americano sobre o território autônomo dinamarquês geraram reações imediatas na véspera, principalmente da União Europeia.

O presidente francês, Emmanuel Macron, classificou a nova rodada de ameaças tarifárias como “uma loucura” e disse que não faz sentido elevar tensões comerciais entre aliados.

Já a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, afirmou que as medidas cogitadas por Trump podem violar o acordo comercial vigente com os EUA e prometeu uma resposta “firme e proporcional”.

O discurso do republicano, agendado para esta manhã, acontece após ele ameaçar aumentar tarifas sobre importações de países europeus.

Trump afirmou que irá impor sobretaxa de 10% sobre produtos de oito países do continente já a partir de 1º de fevereiro, com possibilidade de escalada para 25% em junho.

Segundo ele, a medida visa acelerar um entendimento que permita aos EUA “atuar diretamente na defesa e desenvolvimento sustentável da Groenlândia”.

Em declarações recentes, Trump afirmou que “não irá desistir da Groenlândia” e que chegou “a hora de tomar providências”.

A resposta do bloco europeu foi imediata. Representantes dos 27 países da União Europeia avaliam a aplicação de tarifas de retaliação que podem atingir até €93 bilhões em exportações americanas, abrangendo setores como aviação, bebidas, peças automotivas e tecnologia.

Pressão por tarifas paralisa acordo com EUA

A escalada de tensões levou o Parlamento Europeu a suspender a ratificação de um acordo comercial firmado com os Estados Unidos no ano passado, numa tentativa de forçar Washington a rever sua postura.

O argumento central da Casa Branca é que a Groenlândia representa um ativo geopolítico crucial para os EUA, essencial à segurança nacional e à presença americana no Ártico.

Os europeus, por outro lado, denunciam a violação de normas internacionais e o uso de medidas econômicas coercitivas para alterar a governança sobre territórios autônomos.

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