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CNI propõe 32 medidas para melhorar relação entre Brasil e EUA; veja lista

Propostas incluem parcerias com o Senai e entidades americanas e acordo para evitar bitributação

Fabrica da WEG em Santa Catarina: empresas brasileiras querem mais parcerias em energias limpas (Leandro Fonseca /Exame)

Fabrica da WEG em Santa Catarina: empresas brasileiras querem mais parcerias em energias limpas (Leandro Fonseca /Exame)

Rafael Balago
Rafael Balago

Repórter de internacional e economia

Publicado em 11 de maio de 2026 às 10h22.

Última atualização em 11 de maio de 2026 às 10h25.

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A Confederação Nacional da Indústria (CNI) apresentou nesta segunda-feira, 11, uma lista de medidas para fortalecer e aprimorar as relações comerciais entre o Brasil e os Estados Unidos em diversas áreas, como defesa, minerais críticos e inteligência artificial.

A pauta, chamada de Agenda Estratégica da Indústria Brasileira para os Estados Unidos, será debatida nesta segunda no evento Brasil U.S. Industry Day, realizado em Nova York.

Entre as medidas, estão aprofundar a cooperação entre o Senai e entidades americanas em formação técnica, estimular a cooperação em tecnologias de uso civil e militar, negociar um acordo para evitar a dupla tributação e reduzir as barreiras nos EUA a produtos brasileiros.

Os Estados Unidos são o principal destino das exportações industriais brasileiras no exterior. Na última década, foram vendidos US$ 253 bilhões em produtos da indústria brasileira aos EUA, segundo dados da CNI.

Com isso, a indústria foi um dos setores mais atingidos pelas tarifas que o presidente Donald Trump impôs ao Brasil, a partir do ano passado.

Mesmo com os recuos de Trump e decisões judiciais, cerca de 45% das exportações brasileiras não têm sobretaxa. Cerca de 15% estão sujeitos às tarifas da Seção 232 (segurança nacional), como aço, alumínio, autopeças, cobre e alguns setores específicos. O restante tem sobretaxa de 10% com base na Seção 122, segundo dados da Câmara de Comércio Brasil-Estados Unidos (Amcham).

"Se olharmos o perfil das exportações brasileiras para os Estados Unidos, mais de 80% são produtos industriais, da indústria de transformação, que o Brasil não exporta tanto para outros mercados. Isso torna muito difícil substituir o mercado americano, que é o maior do mundo e ocupa um lugar único na pauta exportadora brasileira", disse Abrão Neto, CEO da Amcham, em entrevista recente à EXAME.

As recomendações da indústria foram divididas em nove temas: comércio e acesso a mercado; transformação digital; investimentos e ambiente de negócios; minerais críticos e cadeias produtivas estratégicas; segurança energética e indústria de baixo carbono; complexo econômico-industrial da saúde e inteligência artificial; defesa, aeroespacial e setores de uso tecnológico dual; formação de capital humano em altas tecnologias; e governança e diálogo institucional.

Veja a lista completa de recomendações da CNI:

Comércio e acesso a mercados

  • Ampliar o acesso da indústria brasileira ao mercado dos Estados Unidos, por meio da eliminação de barreiras tarifárias e não tarifárias.
  • Priorizar a negociação de acordos setoriais e mecanismos de cooperação regulatória que reduzam custos de conformidade e ampliem a competitividade das exportações brasileiras.
  • Fortalecer a cooperação bilateral em facilitação do comércio, com ênfase na modernização aduaneira, digitalização de processos e interoperabilidade regulatória.

Transformação Digital

  • Estabelecer programas bilaterais de inovação industrial — IndTechs — conectando empresas, universidades e centros de pesquisa em setores estratégicos e para indústrias inteligentes.
  • Fomentar projetos conjuntos de P&DI voltados à adoção de tecnologias emergentes pela indústria brasileira, com foco em produtividade, descarbonização e inserção em cadeias de alto valor.
  • Desenvolver uma agenda bilateral em economia digital, promovendo o fluxo seguro de dados, o comércio digital e a cooperação em cibersegurança.

Investimentos e Ambiente de Negócios

  • Negociar Acordo para Evitar Dupla Tributação (ADT) para fortalecer a parceria econômica e fomentar investimentos mútuos.
  • Fortalecer a governança bilateral de investimentos, por meio do aprimoramento de mecanismos como o Ombudsman de Investimentos Estrangeiros, articulado a uma maior coordenação entre instituições brasileiras e norte-americanas, com vistas a apoiar investidores, prevenir disputas e viabilizar projetos industriais e de infraestrutura.
  • Aprofundar a cooperação regulatória entre o INPI e o USPTO, por meio da harmonização de procedimentos e critérios técnicos e da ampliação de iniciativas como o Patent Prosecution Highway (PPH), implementando um fast track bilateral para exame prioritário de patentes, marcas e indicações geográficas.
  • Reforçar a coordenação entre governo e setor privado para fortalecer ações integradas de fiscalização, compartilhamento de informações e uso de tecnologias de rastreabilidade.

Minerais Críticos e Cadeias Produtivas Estratégicas

  • Fomentar parcerias internacionais e comerciais equilibradas, relações empresariais, tecnológicas e financeiras, visando ao incremento de investimentos nos países e a assegurar a estabilidade e resiliência das cadeias de abastecimento de minerais críticos e estratégicos, abrangendo a exploração, o processamento e a transformação até os produtos finais.
  • Fomentar o desenvolvimento tecnológico, visando à soberania e à segurança nacional, à produção de bens de alto valor agregado e à inserção qualificada do país em cadeias globais de valor.
  • Posicionar o Brasil nas estratégias de integração de cadeias produtivas em minerais críticos e estratégicos, essenciais à transição energética e à segurança alimentar.

Segurança Energética e Indústria de Baixo Carbono

  • Aprofundar parcerias bilaterais em hidrogênio de baixa emissão, biocombustíveis (etanol, biodiesel e SAF) e bioprodutos, com foco na coordenação regulatória e na atuação conjunta para influenciar padrões e certificações internacionais, fortalecendo a liderança de Brasil e Estados Unidos no mercado global de biocombustíveis.
  • Expandir a cooperação para soluções de captura, uso e armazenamento de carbono (CCUS) para a descarbonização de setores industriais energointensivos e de difícil abatimento.
  • Ampliar o acesso a financiamento para projetos industriais de resiliência energética, diversificando matrizes renováveis e implementando sistemas de armazenamento integrados a redes inteligentes, com participação de DFC, Eximbank, IFC, BID e bancos comerciais.

Complexo Econômico-Industrial da Saúde e IA

  • Estruturar parcerias público-privadas para impulsionar a cooperação bilateral de P&D e na produção local de medicamentos, vacinas e IFAs, com mecanismos competitivos de financiamento.
  • Promover a cooperação técnica-regulatória entre o FDA e a Anvisa, harmonizando normativas, aumentando eficiência dos processos, reduzindo custos e assegurando a segurança e eficácia sanitária.
  • Atrair investimentos americanos em manufatura farmacêutica, biotecnologia, dispositivos médicos e diagnósticos no Brasil, ampliando a resiliência da cadeia regional de saúde.
  • Aproveitar a capacidade de compra do sistema público de saúde para alavancar desenvolvimento e produção de imunobiológicos e tecnologias de alta complexidade, aumentando a resiliência dos sistemas de saúde nas Américas.
  • Cooperar para o desenvolvimento e validação de modelos de IA a partir de dados de saúde populacionais, aproveitando o potencial de diversidade étnica e dimensão territorial do Brasil para uso intensivo de tecnologias de saúde digital.

Defesa, Aeroespacial e Setores de Uso Tecnológico Dual

  • Estimular cooperação em tecnologias de uso dual — comunicações, biotecnologia, drones, segurança cibernética, sistemas autônomos e materiais avançados — com basic funding para programas de P&DI.
  • Desenvolver soluções compartilhadas para aumentar a segurança de fronteiras, investindo no fortalecimento da Base Industrial de Defesa para além do plano comercial.
  • Aprofundar a parceria estratégica no setor aeroespacial, considerando tratamento favorável às aeronaves civis e componentes correlatos, satélites de baixa órbita e processamento de dados críticos.
  • Expandir a cooperação industrial em defesa, incluindo soluções de Defense Techs, valendo-se da posição do Brasil como Major Non-NATO Ally.
  • Assinar o Acordo de Aquisição de Defesa Recíproca (Reciprocal Defense Procurement Agreement - RDPA), destinado a facilitar a cooperação e o comércio na área de defesa.

Formação de Capital Humano em Altas Tecnologias

  • Aprofundar a cooperação entre o Senai e community colleges, technical schools e universidades americanas em formação técnica e tecnológica visando o escalonamento de fábricas inteligentes.
  • Facilitar a mobilidade qualificada de pesquisadores e profissionais entre os países — Tech Visas, editais de atração de talentos e parcerias entre startups e ICTs — retendo talentos de elite na região.
  • Promover cooperação em pesquisa aplicada vinculada a desafios industriais concretos, com participação ativa do setor privado e mecanismos de proteção à propriedade intelectual.
  • Estruturar centros de excelência binacional em áreas estratégicas — IA, computação quântica, materiais avançados e biotecnologia — com infraestrutura de ponta e financiamento público-privado.

Governança e Diálogo Institucional

  • Estabelecer plano de trabalho bilateral anual, com metas, indicadores e entregáveis, assegurando engajamento público-privado estruturado — com participação do Conselho Empresarial Brasil-Estados Unidos, secretariado pela Confederação Nacional da Indústria — na definição e monitoramento da agenda.
  • Reativar e fortalecer os mecanismos bilaterais de alto nível entre Brasil e Estados Unidos — incluindo o Brazil–U.S. CEO Forum, o Acordo de Cooperação Econômica e Comercial Brasil–EUA (ATEC), o U.S.–Brazil Commercial Dialogue e outros mecanismos setoriais com foco em defesa, energia, finanças, inovação e economia digital — assegurando uma agenda contínua e coordenada de engajamento público-privado, com definição de prioridades estratégicas.
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