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China diz estar 'profundamente chocada' com ação dos EUA na Venezuela

Maduro recebeu delegação da potência asiática para revisar acordos bilaterais horas antes da operação americana

Governo chinês afirma que operação viola o direito internacional e a soberania da Venezuela (Alexander NEMENOV /AFP)

Governo chinês afirma que operação viola o direito internacional e a soberania da Venezuela (Alexander NEMENOV /AFP)

Publicado em 3 de janeiro de 2026 às 13h54.

Em pronunciamento oficial, publicado na rede social X, o governo chinês condenou neste sábado, 3, a ação dos Estados Unidos que resultou na captura do líder venezuelano Nicolás Maduro e sua mulher, Cilia Flores.

O Ministério das Relações Exteriores do país classificou a operação como uma violação grave do direito internacional e da soberania venezuelana.

"A China está profundamente chocada e condena veementemente o uso flagrante da força pelos EUA contra um Estado soberano e a ação contra seu presidente. Tais atos hegemônicos dos EUA violam gravemente o direito internacional e a soberania da Venezuela. A China se opõe firmemente a isso", comunicou a pasta.

Onde está Nicolás Maduro e o que pode acontecer com ele

O governo chinês ainda apelou aos Estados Unidos para que "respeitem o direito internacional e os propósitos e princípios da Carta da ONU, e parem de violar a soberania e a segurança de outros países".

Encontro em Caracas na véspera

Havia muita expectativa em relação ao posicionamento chinês. A potência asiática vinha elevando o tom contra os EUA desde o ano passado, criticando a presença militar americana no Caribe e classificando como ilegais as sanções unilaterais impostas à Venezuela.

Poucas horas antes da operação que culminou em sua captura, Maduro recebeu no Palácio de Miraflores o enviado especial de Xi Jinping, Qiu Xiaqi, acompanhado da vice-presidente Delcy Rodríguez e do chanceler Yván Gil.

O encontro, realizado na sexta-feira 2, visava revisar os mais de 600 acordos bilaterais entre os dois países, um sinal da profundidade da parceria sino-venezuelana. E o timing da visita diplomática não foi casual.

Com a intensificação da presença aeronaval dos EUA na região, oficialmente justificada pelo combate ao narcotráfico, a China demonstrava publicamente seu apoio a Caracas neste momento crítico, pela proximidade com a nação e a crescente capilaridade de seus negócios na região.

Ainda não é possível dimensionar o impacto adicional da captura de Maduro na disputa geopolítica entre as duas maiores potências mundiais. Contudo, em pronunciamento oficial neste sábado, 3, Donald Trump afirmou que os americanos vão permanecer na Venezuela até que haja uma "transição de poder adequada".

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