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Prisioneiros da Coreia do Norte na guerra da Ucrânia temem retorno ao país

Soldados norte-coreanos presos na Ucrânia temem retornar ao seu país, diante das consequências de terem sido capturados

TSIOLKOVSKY, RUSSIA - SEPTEMBER 13: (RUSSIA OUT) Russian President Vladimir Putin (R) and North Korean leader Kim Jong-un (L) visit a construction site of the Angara rocket launch complex on September 13, 2023 in Tsiolkovsky, Russia. North Korean leader Kim Jong-un is in Russia for talks with Russian President Putin. (Photo by Contributor/Getty Images) (Photo by Contributor/Getty Images/Getty Images)

TSIOLKOVSKY, RUSSIA - SEPTEMBER 13: (RUSSIA OUT) Russian President Vladimir Putin (R) and North Korean leader Kim Jong-un (L) visit a construction site of the Angara rocket launch complex on September 13, 2023 in Tsiolkovsky, Russia. North Korean leader Kim Jong-un is in Russia for talks with Russian President Putin. (Photo by Contributor/Getty Images) (Photo by Contributor/Getty Images/Getty Images)

Publicado em 25 de fevereiro de 2026 às 06h01.

Dois soldados  da Coreia do Norte foram capturados por forças ucranianas há mais de um ano, mas o destino dos homens permanece em aberto. Os soldados pediram para serem movidos para a Coréia do Sul, já que, se voltassem para sua terra natal, poderiam enfrentar punições severas por terem sido capturados vivos.

"Não sobreviverei [ao retorno]. Todos os outros se explodiram. Eu falhei", disse um dos soldados ao jornal sul-coreano Hankook Ilbo. "Ficaria grato se me aceitassem. Se não o fizerem, não há nada que eu possa fazer", adicionou um dos soldados, segundo o jornal.

As Nações Unidas interviram, com a relatora especial de direitos humanos na Coreia do Norte, Elizabeth Salmon, dizendo esse mês que a Ucrânia deve seguir o protocolo internacional e evitar de mandar prisioneiros de guerra para um lugar onde correm risco de serem torturados.

“O governo ucraniano está muito ciente da situação na Coreia do Norte e respondeu que pode haver motivos razoáveis ​​para acreditar que eles poderiam ser submetidos a tortura naquele país, na RPDC [República Popular Democrática da Coreia, o nome oficial da Coreia do Norte]”, diz Salmon.

A especialista acrescentou também que manteve contato com o governo ucraniano e recebeu a garantia de que ambos têm direito ao status de prisioneiros de guerra de acordo com o direito internacional humanitário, especificamente a Terceira Convenção de Genebra de 1949.

Por mais que Seoul tenha se mostrado aberta a aceitar os prisioneiros como cidadãos, já que a Constituição sul-coreana prevê status de cidadania para norte-coreanos, Salmon enfatiza que a decisão final depende de Kiev:

“Cabe à Ucrânia. Não cabe à Coreia do Sul decidir o que fazer com essas duas pessoas, mas eles devem avaliar a situação de acordo com o direito internacional”, disse Salmon.

“Existe um princípio — o princípio da não repulsão — e isso está previsto na Convenção sobre Refugiados, mas também na Convenção contra a Tortura”, complementou Salmon, em referência a um princípio do direito internacional que proíbe o envio de prisioneiros de guerra para lugares onde podem ser torturados, em uma entrevista exclusiva com o jornal sul-coreano Korea Herald.

Retribuição por três gerações

Todavia, os soldados não são os únicos que correm perigo na Coreia do Norte. Caso não voltem, o regime pode punir suas famílias ao invés deles por três gerações, segundo Peter Oh, um especialista da Free Korean Association, que ajuda refugiados norte-coreanos nos EUA.

Em entrevista para o jornal alemão Deutsche Welle, ele apontou que, historicamente, durante e após a Guerra da Coreia, os prisioneiros de guerra que retornavam eram supostamente submetidos a trabalhos forçados e classificados como elementos hostis.

Segundo Oh, esses presos de guerra enfrentarão consequências semelhantes se voltarem. "Repercussões contra suas famílias são possíveis", disse. "Mas o governo norte-coreano pode evitar medidas extremas para impedir o escrutínio internacional."

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