(Brendan SMIALOWSKI/AFP)
Redatora
Publicado em 29 de julho de 2026 às 18h37.
O chanceler argentino, Pablo Quirno, negou nesta quarta-feira, 29, que o atrito diplomático entre Argentina e Brasil, provocado por declarações do presidente Javier Milei durante visita a São Paulo, possa evoluir para um rompimento entre os dois países.
"Não há qualquer possibilidade de que, da nossa parte, a relação seja rompida", afirmou Quirno em entrevista à Rádio Mitre.
A crise começou no último sábado, quando Milei participou em São Paulo de um evento para oficializar a candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro (PL). Na ocasião, o presidente argentino chamou Lula de "presidiário" e "ladrão".
Em resposta, o governo brasileiro chamou seu embaixador em Buenos Aires para consultas. Milei reagiu acusando, sem apresentar provas, o governo brasileiro de financiar uma "campanha contra a Argentina". A acusação foi repudiada por autoridades brasileiras.
"Temos que enquadrar este episódio em uma série de episódios que vêm ocorrendo por diferenças políticas e ideológicas entre Milei e Lula. Vemos o mundo de uma maneira totalmente diferente", acrescentou.
O chanceler argentino ainda disse esperar que o embaixador do Brasil retorne ao país o quanto antes.
Lula e Milei mantêm uma relação distante desde a posse do argentino, em dezembro de 2023. Apesar de coincidirem em diversos encontros internacionais e de serem parceiros no Mercosul, os dois presidentes nunca tiveram uma reunião bilateral, mesmo com o Brasil sendo o principal destino das exportações argentinas.
O porta-voz de Javier Milei afirmou na terça-feira, 28, que a relação com o presidente Lula sempre foi tensa e que "sempre houve insultos de ambos os lados".
Segundo Adrian Ravier, as divergências entre os dois governos são essencialmente ideológicas e políticas, e a Argentina não teria levado essas diferenças para o campo diplomático.
A declaração foi feita enquanto Milei participava, em Lima, no Peru, da cerimônia de posse da presidente Keiko Fujimori, outra aliada do argentino no contexto da direita latino-americana.
Ravier classificou a atual tensão entre Brasil e Argentina como uma consequência das diferenças entre os dois governos e minimizou os efeitos do episódio sobre a relação bilateral.
Segundo ele, Milei é um dos principais líderes do movimento em defesa de políticas pró-mercado, enquanto Lula representa um projeto político oposto. O porta-voz afirmou ainda que os Bolsonaros são aliados do presidente argentino nesse campo ideológico.
Com informações da AFP