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Brexit não teria acontecido sem Cambridge Analytica, diz delator

Christopher Wylie, principal fonte do escândalo, disse que empresa trabalhou para que a campanha a favor da saída da UE superasse os gastos permitidos

Christopher Wylie: a CA "desempenhou um papel crucial, tenho certeza", disse Wylie (Henry Nicholls/Reuters)
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AFP

Publicado em 27 de março de 2018 às 09h03.

Última atualização em 27 de março de 2018 às 09h08.

A Cambridge Analytica, acusada de ter utilizado com fins políticos os dados de 50 milhões de usuários do Facebook, teve um "papel crucial" na votação a favor do Brexit , afirmou o delator do escândalo, Christopher Wylie.

Os britânicos teriam aprovado o Brexit em 2016 sem a Cambridge Analytica? "Não", respondeu o ex-diretor de pesquisas da empresa britânica, em uma entrevista publicada nesta terça-feira pelo jornal francês Libération, que entrevistou Wylie ao lado de outros jornais europeus, como Le Monde, El País e Die Welt.

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A CA "desempenhou um papel crucial, tenho certeza", disse Wylie.

A principal fonte do escândalo afirma que a AggregateIQ (AIQ), uma empresa canadense, trabalhou com a Cambridge Analytica para que a campanha a favor da saída da UE, a"Leave-EU", superasse o limite de gastos permitido.

Para Wylie, "sem a AggregateIQ, o campo do 'Leave' não teria conseguido vencer o referendo, que foi decidido por uma diferença de menos de 2% dos votos".

O ex-funcionário da Cambridge Analytica defende reparos ao Facebook, ao invés de apagar a rede social, de acordo com o Le Monde.

"Se tornou impossível viver sem estas plataformas, mas devem ser regulamentadas", disse.

Wylie também mencionou as circunstâncias preocupantes de sua contratação em 2013 pela SCL, matriz da Cambridge Analytica, que ele mesmo ajudou a criar. Ele disse que descobriu depois de algum tempo que seu antecessor "morreu em condições inexplicáveis em um quarto de hotel de Nairóbi, quando trabalhava para Uhuru Kenyatta", atual presidente do Quênia, segundo o jorna francês Le Monde.

Christopher Wylie reafirmou ainda o envolvimento na empresa britânica de Steve Bannon, ex-conselheiro de Donald Trump e ex-diretor do Breitbart, site de referência para a extrema-direita americana.

Ele disse que o americano visitava Londres pelo menos uma vez por mês e que sua chegada à empresa contribuiu para que deixasse a CA, segundo o Libération.

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