José Múcio: Ministro afirmou que a fronteira está aberta e que há contingente suficiente para garantir segurança (Tomaz Silva/Agência Brasil)
Repórter de Mercados
Publicado em 3 de janeiro de 2026 às 13h06.
O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, coordenou neste sábado, 3, uma reunião com ministros para discutir os desdobramentos da crise política e institucional na Venezuela. O encontro foi realizado pela manhã, no Palácio do Planalto.
Participaram os ministros das Relações Exteriores, da Defesa, da Casa Civil, da Secretaria de Comunicação Social da Presidência, além de representantes da Secretaria de Relações Institucionais e do Ministério da Justiça e Segurança Pública.
Na reunião, Lula reafirmou a posição expressa por ele em postagem feita nas redes sociais mais cedo, em que comentou os acontecimentos no país vizinho.
Segundo o ministro da Defesa, José Múcio, não há qualquer movimentação anormal na fronteira entre Brasil e Venezuela, que segue sob monitoramento. Mucio afirmou que a fronteira está aberta e que há contingente suficiente para garantir segurança, mas não soube dizer se o lado venezuelano está permitindo a saída de moradores.
Em coletiva à imprensa, o ministro afirmou que são 2.300 homens em Roraima, 200 deles na fronteira, e um total 10 mil na Amazônia, em área próxima da fronteira.
Ele também afirmou estar em contato com o governador de Roraima e relatou os contatos mantidos com outros ministros das Relações Exteriores da região nas últimas horas.
Até o momento, não há registro de brasileiros entre as possíveis vítimas dos ataques ocorridos na Venezuela. A embaixada do Brasil em Caracas segue em contato direto com o Itamaraty para acompanhamento da situação interna.
Uma nova reunião para atualização do cenário está prevista para o fim da tarde deste sábado, às 17h.
O presidente da República condenou os bombardeios dos Estados Unidos em território da Venezuela e a captura de Maduro, afirmando que a ação “ultrapassa uma linha inaceitável” e representa “uma afronta gravíssima à soberania da Venezuela”.
Em publicação na rede X, Lula alertou que a ofensiva cria “mais um precedente extremamente perigoso para toda a comunidade internacional” e comparou o episódio aos momentos mais tensos de interferência estrangeira na política da América Latina e do Caribe.
O presidente brasileiro enquadrou os ataques como uma violação direta do direito internacional e alertou para o risco de um “mundo de violência, caos e instabilidade, onde a lei do mais forte prevalece sobre o multilateralismo”.
O presidente cobrou uma reação firme dos organismos internacionais: “A comunidade internacional, por meio da Organização das Nações Unidas, precisa responder de forma vigorosa a esse episódio”, escreveu.
Leia o texto na íntegra:
"Os bombardeios em território venezuelano e a captura do seu presidente ultrapassam uma linha inaceitável. Esses atos representam uma afronta gravíssima à soberania da Venezuela e mais um precedente extremamente perigoso para toda a comunidade internacional.
Atacar países, em flagrante violação do direito internacional, é o primeiro passo para um mundo de violência, caos e instabilidade, onde a lei do mais forte prevalece sobre o multilateralismo.
A condenação ao uso da força é consistente com a posição que o Brasil sempre tem adotado em situações recentes em outros países e regiões.
A ação lembra os piores momentos da interferência na política da América Latina e do Caribe e ameaça a preservação da região como zona de paz.
A comunidade internacional, por meio da Organização das Nações Unidas, precisa responder de forma vigorosa a esse episódio. O Brasil condena essas ações e segue à disposição para promover a via do diálogo e da cooperação."
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou neste sábado que o país realizou um “ataque em larga escala” contra a Venezuela e capturou o líder venezuelano Nicolás Maduro e sua mulher, Cilia Flores, que teriam sido levados para fora do país
Em postagem na rede Truth Social, Trump escreveu: “Os Estados Unidos da América realizaram com sucesso um ataque em grande escala contra a Venezuela e seu líder, o presidente Nicolás Maduro, que foi, com sua esposa, capturado e levado para fora do país”.
A vice-presidente da Venezuela, Delcy Rodríguez, afirmou em mensagem de áudio transmitida pela TV estatal que o governo “não sabe o paradeiro do presidente Nicolás Maduro nem da primeira combatente Cilia Flores” e exigiu “provas imediatas de vida” de ambos.