Redação Exame
Publicado em 4 de fevereiro de 2026 às 21h20.
Os Estados Unidos lançaram nesta quarta-feira, 4, uma ofensiva diplomática para reorganizar o mercado global de minerais críticos e reduzir a dependência da China. Em um encontro em Washington, o secretário de Estado americano, Marco Rubio, e o vice-presidente JD Vance defenderam a criação de uma “zona preferencial de comércio” para esses insumos, com pisos de preços “aplicáveis” para tornar o mercado mais previsível e sustentar investimentos em mineração e processamento.
O Brasil participou da reunião, que reuniu autoridades de dezenas de países e tratou de diversificação do acesso a minerais considerados estratégicos para tecnologia, infraestrutura e defesa.
O país detém reservas relevantes de insumos hoje considerados críticos, como cobre, lítio, silício, nióbio e terras raras, todos amplamente utilizados em cadeias industriais de alto valor agregado. Esses minerais são fundamentais para setores como siderurgia avançada, produção de semicondutores, geração de energia renovável, armazenamento de energia e desenvolvimento de tecnologias digitais e de defesa.
No discurso de abertura, Vance afirmou que o governo Trump quer estabelecer preços de referência por etapa da produção e usar tarifas ajustáveis para manter esse valor como piso dentro da zona preferencial.
A proposta busca evitar, segundo ele, que o mercado seja inundado por oferta externa com preços muito baixos, o que derrubaria cotações, afastaria investidores e levaria projetos a serem abandonados.
Rubio disse que a prioridade é diversificar cadeias de suprimento “seguras e confiáveis” e que a dependência excessiva de um único fornecedor pode virar instrumento de pressão geopolítica — ou gerar rupturas por eventos como pandemias ou instabilidade política.
O tema é estratégico para o governo Trump. Durante o encontro, JD Vance e Marco Rubio ressaltaram o lançamento do Project Vault, iniciativa que cria um fundo de US$ 12 bilhões para constituir uma reserva de minerais críticos, voltada a assegurar o suprimento desses insumos para a economia americana.
Rubio afirmou que a iniciativa é multilateral e que cada país poderia ter um papel específico, inclusive na etapa de refino e processamento. Ele ressaltou que minerais críticos são vitais para infraestrutura, indústria e defesa, e defendeu coordenação internacional para proteger “cada etapa” da cadeia, da mineração ao processamento e à manufatura.
O ministro japonês Iwao Horii citou nominalmente países com potencial em produção e refino, incluindo Brasil, além de Angola, Argentina, Austrália, Bolívia, Canadá, República Democrática do Congo e França, ao defender cooperação entre “países com a mesma visão” para diversificar suprimentos.
*Com informações do Globo