Bolívia tem presidente interino, mas incerteza para vizinhos continua

Senadora de oposição se declara presidente em Congresso vazio, enquanto Brasil espera desdobramentos no gás e na migração

As consequências para o Brasil da crise política na Bolívia podem começar a ficar mais concretas nesta quarta-feira. A estatal boliviana YPFB comunicou ontem à Petrobras que pode haver “eventual variação” no fornecimento de gás natural para o Brasil. A Bolívia é responsável por um quinto do fornecimento de gás brasileiro.

Por enquanto, segundo a Folha, investidores não veem risco de interrupção no fornecimento, apesar de manifestantes pró-Evo Morales terem invadido um campo de gás em Cochabamba, o que levou a cortes no fornecimento para a Argentina. Brasil e Bolívia dividem um gasoduto de 3.000 quilômetros e têm um contrato de fornecimento que vence em 31 de dezembro. A conflagração na Bolívia pode levar a atrasos na renovação.

 

O gás natural barato é considerado fundamental para a retomada econômica do Brasil e para sua competitividade no longo prazo, segundo o ministro da Economia, Paulo Guedes. O governo acelerou este ano a abertura do mercado de gás no país na exploração, produção e distribuição e anunciou a descoberta de uma grande reserva de gás em Sergipe, em ações que, coordenadas, podem reduzir o preço do gás em até 40%, de acordo com o governo.

Outro possível impacto no Brasil da crise boliviana é o aumento do fluxo de imigrantes e de contrabando na fronteira entre os dois países. Dois pontos da fronteira estão fechados, sem previsão de abertura.

O governo brasileiro tem se limitado a observar a distância os desdobramentos da crise boliviana, apoiando a transição política que, segundo o Itamaraty, não configura um golpe de estado. Na noite de ontem, o Brasil reconheceu a senadora Jeanine Áñez, opositora de Evo, como presidente interina do país. Ela se auto-declarou presidente ontem, num Congresso sem quórum, e prometeu convocar eleições em janeiro.

Evo Morales deve amanhecer nesta quarta-feira pela primeira vez fora do país que comandou por 13 anos. Evo está no México, de onde acompanha de longe a discussão internacional sobre se houve ou não um golpe. Uma reunião da Organização dos Estados Americanos marcou a divisão: para México, Nicarágua e Uruguai, Evo foi vítima de golpe. Para Luis Almagro, presidente da OEA, o golpe foi dado “por quem roubou a eleição”. A Organização das Nações Unidas afirmou que não lhe cabe entrar nessa bola dividida.

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