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Da Redação
Publicado em 12 de outubro de 2010 às 18h39.
Mesmo 30 meses consecutivos de crescimento não foram suficientes para dissipar os receios do mercado internacional com a Argentina. O último dado, sobre maio, aponta uma expansão econômica de 10,5% ante maio de 2004. Nos dois últimos anos cheios a economia cresceu 9% ao ano, e a estimativa de boa parte dos economistas é de uma expansão de 8% neste ano. Além disso, o governo argentino pode exibir um superávit fiscal recorde e um saldo positivo "saudável" em conta corrente.
Porém, diz o jornal britânico Financial Times, o governo de Néstor Kirchner claramente está percebendo que não está colhendo crédito suficiente com suas realizações econômicas. "Muitos observadores econômicos continuam pessimistas quando às perspectivas de longo prazo para a Argentina", diz a reportagem.
Vladimir Werning, vice-presidente do JP Morgan, aponta para uma desaceleração do investimento no primeiro trimestre deste ano. O nível de investimento atual está em torno de 21% do produto interno bruto, e mesmo Roberto Lavagna, o ministro da Economia argentino, reconhece que o investimento precisa ser muitos pontos percentuais acima para sustentar o crescimento.
Outro sinal de alerta é a recente alta da inflação, que quase com certeza, diz o Financial Times, vai bater em dois dígitos em 2005. Alguns analistas, finalmente, reclamam da "retórica anti-negócios" adotada pelo presidente Kirchner.