Após voto de confiança, governo grego prepara plano de austeridade

O governo socialista grego prepara nesta quarta-feira o novo plano de austeridade exigido pelo FMI e pela União Europeia

Atenas – Após obter a confiança do Parlamento, o governo socialista grego prepara nesta quarta-feira o novo plano de austeridade exigido pelo FMI e pela União Europeia (UE), que será submetido ao voto do legislativo antes do fim do mês.

O Conselho de Ministros, que iniciou sua reunião nesta quarta-feira à tarde, dará seu aval à “lei de aplicação”, que detalha as controversas medidas de um novo programa econômico plurianual, que será votado antes de 30 de junho, como exige a UE.

Esse texto, que tem o aval dos credores, da UE e do FMI, prevê uma alta de impostos diretos e indiretos.

Inicialmente, deveria ser votado no início de julho, mas o primeiro-ministro Giorgos Papandreou decidiu acelerar seu trâmite em meio à pressão da zona do euro, após recuperar a iniciativa política graças a uma remodelação do governo e ao voto de confiança obtido na terça-feira à noite.

Todos os deputados da oposição presentes, 143, votaram contra, mas Papandreou conquistou o apoio total dos votos socialistas (155 sobre um total de 300), descartando assim o risco de que seus projetos fossem rejeitados pelo Parlamento.

“Peço o voto de confiança para poder continuar enfrentando a crise e os déficits, para evitar a quebra e assegurar que a Grécia se mantenha no núcleo do euro”, disse Papandreou no fim de um debate parlamentar.

“Os deputados se renderam sem condições”, ironizava nesta quarta-feira o jornal de esquerda Eleftherotypia; “o plano ainda mais duro após o voto”, lamentava o de direita, Eleftheros Typos, alinhado com a oposição conservadora, que se nega a apoiar o governo.

Para alcançar os objetivos do plano orçamentário, que prevê até 2015 economias de 28,4 bilhões de euros e privatizações por 50 bilhões, o texto detalha os cortes orçamentários previstos, segundo o ministério das Finanças: redução das aposentadorias, dos subsídios sociais, da massa salarial e do número de empregos no setor público.


A lei cria um “novo fundo” encarregado das privatizações, “sob controle internacional” da ‘troika’, a delegação trilateral encarregada de vigiar as finanças gregas para a zona do euro, o Banco Central Europeu (BCE) e o Fundo Monetário Internacional (FMI), indicou ao parlamentar o ministro das Finanças, Evangelos Venizelos.

Estes “observadores” estrangeiros proporcionarão seus “conhecimentos” e assegurarão a “transparência” do processo, completou.

Peso pesado do Partido Socialista, impulsionado a este posto-chave na última remodelagem do governo, Venizelos mobilizou diante do Parlamento todo seu talento retórico para animar os gregos, que se debatem entre a cólera e a inquietação diante do duro plano de ajuste e das ameaças que continuam pesando sobre a solvência do páis.

Venizelos citou a possível ajuda por parte dos parceiros europeus, em momentos em que a cura do rigor afunda a Grécia na recessão e dispara do desemprego.

Esta ajuda pode vir de um novo plano de resgate, que se somaria ao empréstimo de 110 bilhões de euros dado em maio de 2010 pela zona do euro e pelo FMI, mas que não foi suficiente para que a Grécia recuperasse sua autonomia financeira.

Manifestante em frente a cordão de isolamento da polícia durante protesto em frente ao Parlamento grego, em Atenas

Mas o clima social continua sendo muito tenso. Os sindicatos preparam uma greve de 48 horas que coincida com a votação do plano orçamentário e da lei de aplicação.

Pos rua vez, os “indignados” continuam suas mobilizações apesar de já não conseguirem reunir dezenas de milhares de pessoas, tal como fizeram no início de junho.