O presidente Donald Trump, em fotomontagem com a bandeira da União Europeia ao fundo (Getty Images/Montagem/Exame)
Repórter
Publicado em 28 de janeiro de 2026 às 06h02.
As ambições do presidente americano Donald Trump, particularmente com a Groenlândia, vêm frustrando seus aliados ideológicos na Europa, que outrora ganhavam impulso político ao apoiarem pautas como controle da imigração e protecionismo econômico.
A estratégia de segurança nacional americana do ano passado, já sob Trump, dizia que “A crescente influência dos partidos patrióticos europeus… é motivo de grande otimismo.”
Todavia, os mesmos líderes europeus que encontravam inspiração em Trump passaram a se distanciar do republicano, enfrentando dilemas políticos que começaram após a controversa operação militar americana na Venezuela, e agora, com mais intensidade, após as ameaças de anexação da Groenlândia, no próprio quintal da direita europeia.
"Donald Trump violou uma promessa fundamental de campanha — não interferir em outros países", disse Alice Weidel, líder do partido de direita radical alemão AfD, em entrevista coletiva. O colíder do partido, Tino Chrupalla, condena os “métodos do velho-oeste” do republicano.
O partido AfD, que cultiva laços com a administração de Trump, agora enfrenta problemas: pesquisa do instituto Forsa mostra que 71% da população do país percebe Trump como um inimigo, não como um aliado.
Polarizada pelas políticas recentes de Trump, a AfD está dividida entre aqueles que acreditam que o apoio de Trump é tão importante que repreender os EUA publicamente é prejudicial ao partido e aqueles que acreditam que essa dependência revive velhas cicatrizes de vassalagem política.
A tendência não é unicamente alemã. O partido de direita britânico Reform UK diz em um comunicado: "Usar ameaças econômicas contra um país que tem sido considerado seu aliado mais próximo por mais de cem anos não é o tipo de coisa que esperaríamos."
Mattias Karlsson, um importante ideólogo da direita sueca, contribui para as condenações contra Trump em uma postagem no X, antigo Twitter: “Trump está cada vez mais lembrando um Rei Midas reverso – tudo o que ele toca vira m****.”
Jordan Bardella, líder do partido de direita francês Reagrupamento Nacional, ou RN, diz que as ameaças de Trump contra a soberania de estados são “inaceitáveis” e que "chantagem comercial é igualmente intolerável".
Falando sobre a captura americana de Nicolás Maduro, em tese um grande rival ideológico de Bardella, ele diz: “O respeito pelo direito internacional e pela soberania dos Estados não pode ser aplicado seletivamente.”
Pesquisas de janeiro apontam que 73% dos apoiadores dos partidos de centro-direita franceses se opõem a qualquer anexação americana da Groenlândia, em uma pergunta que, quando aplicada aos eleitores da RN, resulta em uma cifra de 59%.
Entre eleitores do AfD, na Alemanha, apenas 35% dizem ter imagem positiva de Trump. Dentre os eleitores britânicos do Reform UK, a aprovação do republicano não passa dos 50%.
Mesmo países com uma considerável base de direita que não condenaram Trump como Polônia, Espanha e Holanda, se mantiveram em silêncio. Nenhum de seus aliados na Europa demonstrou apoio ao republicano.