Repórter
Publicado em 12 de fevereiro de 2026 às 17h15.
O Parlamento de Portugal aprovou nesta quinta-feira, 12, um projeto de lei que condiciona o acesso de jovens entre 13 e 16 anos às redes sociais à autorização expressa dos responsáveis legais. A proposta é apresentada como uma das primeiras iniciativas legislativas na Europa com foco específico nesse tipo de restrição.
O texto foi apresentado pelo Partido Social Democrata, legenda que lidera o governo. A medida busca proteger menores de situações de cyberbullying, exposição a conteúdos considerados nocivos e abordagens por indivíduos predadores, segundo informações da agência Reuters.
A proposta foi aprovada com 148 votos contra, 69 favoráveis e 13 abstenções, podendo ainda sofrer alterações antes da votação final.
A autorização deverá ser concedida por meio da Chave Digital Móvel, sistema público de autenticação digital utilizado em Portugal.
O mecanismo também reforça a proibição já em vigor para crianças com menos de 13 anos em plataformas digitais, incluindo redes sociais, serviços de partilha de vídeos e imagens e sites de apostas online.
Além disso, as empresas de tecnologia terão de adotar sistemas de verificação etária compatíveis com essa infraestrutura.
Medidas semelhantes avançam em outros países europeus. A Câmara dos Deputados da França aprovou, no mês anterior, legislação que impede o acesso de menores de 15 anos às redes sociais, em meio a debates sobre saúde mental e bullying online. Na Austrália, entrou em vigor, em dezembro, uma proibição que veta o uso de plataformas digitais por menores de 16 anos, incluindo Facebook, Snapchat, TikTok e YouTube.
O texto português sustenta que a proposta pretende suprir uma lacuna regulatória que permitiu que "plataformas digitais multinacionais estabelecessem regras unilateralmente", com impacto no desenvolvimento cognitivo e emocional de crianças, especialmente em casos de exposição precoce ou excessiva.
De acordo com o projeto, nas últimas duas décadas, as redes sociais passaram a exercer funções tradicionalmente atribuídas a famílias e escolas, sem marco regulatório específico.
"Temos que proteger nossas crianças... não pretendemos proibir por proibir, mas sim criar uma norma que dê mais poder aos pais e às famílias, para que possam acompanhar e controlar", afirmou o deputado Paulo Marcelo, do PSD, antes da votação.
O parlamentar declarou ainda que empresas que descumprirem as regras poderão ser penalizadas com multas de até 2% da receita global.