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Agente russa se encontrou com autoridades do Fed e do Tesouro dos EUA

Maria Butina é acusada de conspirar com dois cidadãos norte-americanos e um alto funcionário russo para influenciar a política dos EUA

Maria Butina, a suposta espiã russa que foi detida no domingo nos EUA (Press Service of Civic Chamber of the Russian Federation/Reuters)

Maria Butina, a suposta espiã russa que foi detida no domingo nos EUA (Press Service of Civic Chamber of the Russian Federation/Reuters)

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Reuters

Publicado em 22 de julho de 2018 às 13h15.

Última atualização em 22 de julho de 2018 às 13h17.

WASHINGTON - A agente russa Maria Butina teve contatos de alto nível em Washington mais amplos do que se sabia anteriormente, participando de encontros em 2015 entre uma autoridade russa visitante e duas autoridades sêniors do Banco Central dos EUA e do Departamento de Tesouro.

As reuniões, reveladas por várias pessoas familiarizadas com as sessões e um relatório de um centro de estudos de Washington que as organizou, envolveram Stanley Fischer, vice-presidente do Fed na época, e Nathan Sheets, então subsecretário do Tesouro para assuntos internacionais.

Acusada de conspirar para influenciar a política norte-americana em relação à Rússia, Butina viajou para os Estados Unidos em abril de 2015 com Alexander Torshin, então vice-governador do Banco Central Russo, e eles participaram de reuniões separadas com Fischer e Sheets para discutir as relações econômicas entre Rússia e EUA durante o governo do ex-presidente Barack Obama.

As duas reuniões, que não foram reportadas anteriormente, revelam um círculo mais amplo de conexões que Butina procurou cultivar com líderes políticos americanos e grupos de interesses especiais.

As reuniões com Fischer e Sheets foram organizadas pelo Centro para o Interesse Nacional, um centro de estudos de política externa de Washington que frequentemente defende visões pró-Rússia.

As reuniões foram documentadas em um relatório do Centro para o Interesse Nacional visto pela Reuters que descreveu suas atividades relacionadas à Rússia de 2013 a 2015. O relatório descreveu as reuniões como ajudando a reunir "figuras importantes das instituições financeiras dos Estados Unidos e da Rússia".

Na quarta-feira, um juiz ordenou que Butina, de 29 anos, fosse presa até seu julgamento, após promotores norte-americanos argumentarem que ela tem laços com a inteligência russa e que poderia fugir dos Estados Unidos. Butina se declarou inocente de acusações de que atuou como agente estrangeira para a Rússia.

Butina trabalhou para Torshin, que tem laços estreitos com o presidente russo Vladimir Putin, e serviu como seu intérprete em vários eventos em Washington.

Fischer, em um email para a Reuters, confirmou que se encontrou com Torshin e seu intérprete. Apesar de não poder recordar detalhes, Fischer disse que a conversa envolveu "o estado da economia russa" e o novo papel de Torshin como vice-presidente do banco central.

Outra pessoa familiarizada com a reunião, falando sob condição de anonimato, disse que ela ocorreu em 7 de abril de 2015, e confirmou que Butina compareceu.

Promotores federais acusaram Butina de conspirar com dois cidadãos norte-americanos e um alto funcionário russo para influenciar a política dos EUA em relação à Rússia e se infiltrar em um grupo de defesa de armas que se acredita ser a Associação Nacional do Rifle (NRA, na sigla em inglês).

A NRA é um influente lobby pró-armas com laços estreitos com políticos republicanos, incluindo o presidente Donald Trump.

Perguntas relacionadas à Rússia lançaram uma nuvem sobre a presidência de Trump.

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