Geng Shuang: o representante chinês afirmou que ações militares americanas não resultaram em soluções para conflitos
Repórter de Brasil e Economia
Publicado em 5 de janeiro de 2026 às 13h26.
Última atualização em 5 de janeiro de 2026 às 13h32.
O representante da China no Conselho de Segurança da ONU, Geng Shuang, afirmou nesta segunda-feira, 5, que a ação dos Estados Unidos que culminou na prisão de Nicolás Maduro representa uma grande ameaça para todos os países da América Latina.
"Os EUA colocaram seu poder acima do multilateralismo, e a ação militar acima da diplomacia, representando uma grave ameaça à paz e à segurança na América Latina, no Caribe e também no mundo", afirmou Shuang em seu discurso.
O embaixador extraordinário da China disse ainda que os países da América Latina e do Caribe são forças importantes na manutenção da paz e da estabilidade global e tem pleno direito de escolher "seus próprios caminhos de desenvolvimento".
O diplomata chinês reforçou ainda que a China está "profundamente chocada e condena fortemente" os atos do governo Donald Trump. Ele defendeu que os Estados Unidos violaram os princípios de soberania da Venezuela.
"Nenhum país pode agir como a polícia do mundo, nem se presumir juiz internacional", afirmou.
O porta voz chinês na ONU citou ainda as operações militares dos Estados Unidos no Iraque e o ataque ao Irã como ações que não resultaram em solução e só "causaram conflitos persistentes, instabilidade e profundo sofrimento às populações locais".
"Essas ações trouxeram paz e estabilidade? Trouxeram desenvolvimento e prosperidade? A comunidade internacional vê claramente que não", afirmou.
Shuang reforçou o pedido para que os americanos garantam a segurança física de Maduro e de sua esposa e libertem imediatamente o presidente venezuelano.
O líder chavista passará por uma audiência de custódia na tarde desta segunda-feira em Nova York.
A China pediu ainda que os americanos cessem as "violações da soberania e segurança de outros países", parem de tentar derrubar o governo da Venezuela e retornem ao "caminho da solução política por meio do diálogo e da negociação".
"Exigimos que os Estados Unidos mudem de rumo, cessem com práticas de coerção e intimidação, e desenvolvam relações com os países da região com base no respeito mútuo, igualdade e não interferência em assuntos internos", disse.
O Conselho de Segurança é o único órgão da ONU com poder de usar a força militar. No, entanto, suas decisões podem ser vetadas pelos membros-fundadores. Os EUA são um deles, o que deve impedir medidas contra o país pela invasão da Venezuela.
No sábado, 3, forças americanas invadiram a Venezuela e capturaram o presidente Nicolás Maduro. Ele foi levado para Nova York, onde será julgado por várias acusações, incluindo o envolvimento com tráfico de drogas.
Sua vice, Delcy Rodríguez, assumiu a Presidência da Venezuela de forma interina. Ela sinalizou que buscará cooperar com os EUA, após sofrer ameaças dos americanos.
O presidente dos EUA, Donald Trump, disse que poderá fazer novas operações militares no país se o governo não atender suas demandas, especialmente abrir o setor de petróleo para empresas americanas.