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A história por trás dos óculos escuros de Macron em Davos

Apesar do momento descontraído, o discurso de Macron concentrou‑se nos desafios estratégicos para 2026

Macron: presidente da França durante o Fórum Econômico Mundial em Davos, na Suíça.  (Fabrice COFFRINI / AFP via Getty Images)

Macron: presidente da França durante o Fórum Econômico Mundial em Davos, na Suíça. (Fabrice COFFRINI / AFP via Getty Images)

Luiz Anversa
Luiz Anversa

Repórter

Publicado em 20 de janeiro de 2026 às 15h48.

O presidente da França, Emmanuel Macron, chamou atenção ao subir ao palco do Fórum Econômico Mundial, nesta terça‑feira, usando um par de óculos escuros do tipo aviador. A escolha incomum do acessório ocorreu em meio a um problema ocular que, segundo ele, é “totalmente inofensivo”, mas deixou seu olho direito avermelhado e inchado.

Macron já havia comentado a condição dias antes, durante uma visita à base aérea de Istres, no sul do país. Ao iniciar seu discurso de Ano‑Novo às Forças Armadas francesas, o presidente se antecipou às especulações sobre sua aparência.

“Peço desculpas pelo aspecto pouco agradável do meu olho. Trata‑se, evidentemente, de algo sem qualquer gravidade”, afirmou. Em tom bem‑humorado, acrescentou: “Considerem uma referência não intencional a ‘Eye of the Tiger’. Para quem captar a referência, fica o sinal de determinação”. A menção remete ao clássico da banda americana Survivor, tema do filme Rocky III (1982), estrelado por Sylvester Stallone.

Desafios europeus

Apesar do momento descontraído, o discurso de Macron concentrou‑se nos desafios estratégicos para 2026. Entre os pontos destacados estavam a aceleração do processo de rearmamento francês, o apoio à Ucrânia e a decisão de enviar tropas à Groenlândia em solidariedade à Dinamarca.

Mais cedo, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, divulgou uma mensagem privada enviada por Macron, na qual o líder francês expressava preocupação com as ameaças de Washington relacionadas à Groenlândia. No texto, Macron dizia:

“Meu amigo, estamos totalmente alinhados sobre a Síria. Podemos fazer grandes coisas em relação ao Irã. Não entendo o que você está fazendo sobre a Groenlândia. Vamos tentar construir algo significativo:

  1. posso organizar uma reunião do G7 depois de Davos, em Paris, na quinta-feira à tarde, com ucranianos, dinamarqueses, sírios e russos, paralelamente ao evento;
  2. vamos jantar juntos em Paris na quinta-feira, antes de você retornar aos EUA. Emmanuel.”

Questionado por jornalistas, Macron afirmou que não pretendia se encontrar com o presidente norte‑americano durante o evento em Davos.

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