O que é spoofing, nova forma de manipulação do mercado financeiro

A prática ganhou força com a disseminação dos chamados robô traders, que conseguem disparar milhares de ordens de compra e venda por segundo

No último dia 15 de março, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) condenou pela primeira vez um investidor por spoofing, uma nova modalidade de fraude no mercado financeiro que busca induzir de forma artificial um ativo à alta ou à baixa.

Em termos simples, a prática funciona assim: um investidor pretende vender um papel, mas quer receber por ela mais do que a cotação atual.

Dessa forma, ele dá ao mesmo tempo uma ordem de venda, com a ajuda de algoritmos, e várias ordens de compras da mesma ação. Após a geração de uma demanda que não é real, o infrator cancela a compra e o preço, que até então estava inflado, volta aos patamares normais.

O contrário é feito quando o investidor quer comprar um ativo por menos do que ele vale no momento. Ele envia ao mesmo tempo uma ordem de compra e diversas ordens de venda, que na verdade não irão se concretizar. 

O procedimento, que dura poucos segundos, ganhou força com o crescimento dos chamados robô traders, que conseguem disparar milhares de ordens de compra e venda por segundo. 

Vale lembrar que o uso de robôs para operações no mercado não é ilegal, mas utilizá-los para alterar artificialmente o preço de um ativo é considerado, além de uma irregularidade na esfera administrativa, um crime de manipulação do mercado.

O spoofing ainda é uma prática recente. Nos Estados Unidos, a primeira condenação por esse tipo de manipulação aconteceu em 2016. O acusado foi Michael Coscia, trader de investimento na Panther Energy Trading, que faturou 1,4 milhão de dólares em meados de 2010 com a maquiagem dos preços de commodities.

Saiba mais sobre o caso

Por 4 votos a zero, a CVM impôs à empresa de investimentos Paiffer Management Ltda e a seu sócio José Joaquim Paiffer, administrador de carteiras, multa de 2,39 milhões de reais por irregularidades praticadas em 2013 e 2015, conforme antecipado pelo jornal O Globo.

O valor equivale ao dobro dos ganhos obtidos pelos acusados com as operações, que envolviam opções de ações da Vale e da Petrobras e contratos futuros de dólar e do Ibovespa.

Segundo a CVM, a Paiffer obteve lucro de R$ 855 mil, enquanto o sócio teve vantagem financeira de R$ 342 mil.

Em nota, Paiffer disse que vai recorrer da decisão que, segundo ele, “foi baseada em uma análise equivocada e não levou em consideração a dinâmica do mercado”.

A punição aplicada pela CVM é administrativa, mas como a prática é considera um crime, ela também será investigada pelo Ministro Público Federal.

Com Estadão Conteúdo. 

 

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