Mercado Imobiliário

JK, Pinheiros e Chucri Zaidan dão fôlego à recuperação dos escritórios

Setor financeiro e de saúde puxam ocupações em regiões como JK e Pinheiros; vacância recua ao menor nível em anos, segundo estudo da Cushman & Wakefield

Juscelino Kubitschek: Setor financeiro e de saúde puxam ocupações na avenida (Leandro Fonseca/Exame)

Juscelino Kubitschek: Setor financeiro e de saúde puxam ocupações na avenida (Leandro Fonseca/Exame)

Letícia Furlan
Letícia Furlan

Repórter de Mercados

Publicado em 26 de janeiro de 2026 às 12h42.

Mesmo com o PIB praticamente estagnado no fim de 2025 e a Selic em 15%, o mercado de escritórios de alto padrão no centro expandido de São Paulo teve um ano de forte ocupação. A absorção líquida foi de 147,8 mil metros quadrados, com destaque para regiões como JK, Pinheiros e Chucri Zaidan, que concentraram a maior parte da demanda por espaços corporativos no quarto trimestre, segundo o MarketBeat Office, estudo da Cushman & Wakefield divulgado com exclusividade pela EXAME.

A economia brasileira cresceu apenas 0,1% no terceiro trimestre, segundo o IBGE, refletindo a desaceleração frente ao avanço de 0,3% no trimestre anterior. Ainda assim, a taxa de desemprego caiu para 5,2% no fim de novembro, e a inflação fechou 2025 em 4,26%, dentro do intervalo de tolerância da meta.

No mercado imobiliário corporativo, o setor financeiro liderou as novas locações na região da JK, com 10,2 mil metros quadrados absorvidos no trimestre. Em Pinheiros, foram 9,5 mil metros quadrados, impulsionados principalmente por empresas da área de saúde. Já a Chucri Zaidan registrou 7,9 mil metros quadrados, mantendo o padrão de crescimento visto ao longo do ano.

Equilíbrio entre oferta e procura sustenta preços

O preço médio pedido por metro quadrado em edifícios de classe A e A+ no centro expandido de São Paulo ficou em R$ 144,29 por metro quadrado ao mês no quarto trimestre — praticamente estável em relação ao período anterior, mas com valorização de 8,74% no acumulado do ano.

A Faria Lima seguiu como a região mais valorizada da cidade, com preço médio de R$ 290,06, sustentada pela escassez de imóveis vagos e demanda constante por lajes premium. Pinheiros também manteve valorização, alcançando R$ 170,67.

Na outra ponta, a Marginal Pinheiros recuou para R$ 78,63, e a Chácara Santo Antonio teve leve alta, fechando o ano em R$ 73,27 — ainda entre os menores patamares da capital.

Vacância cai, mas entregas previstas para 2026 devem reverter tendência

A taxa de vacância no centro expandido encerrou 2025 em 12,77%, um dos menores níveis da série histórica. A redução foi de 3,46 pontos percentuais no ano, impulsionada por ocupações consistentes e volume moderado de novos lançamentos.

Pinheiros reduziu a vacância de 9,45% para 5,13%. A JK terminou o ano com 9,18% e a Chucri Zaidan caiu para 14,34%. Já a Marginal Pinheiros foi na contramão: a entrega do River South (20.609 m²) elevou a vacância para 36,02%.

No total, foram entregues 49,9 mil metros quadrados de novo estoque em 2025 — abaixo das projeções iniciais.

Para 2026, no entanto, a previsão é de aumento da oferta, com projetos em regiões como Chucri Zaidan, Pinheiros, Chácara Santo Antonio e Rebouças. A expectativa é que a maior concorrência pressione preços e leve a negociações mais agressivas por parte dos proprietários.

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