Mercado Imobiliário

Com mais de R$ 2 bi em vendas, Senna Tower vira vitrine global para FG

O projeto, fruto da parceria entre a FG Empreendimentos, a marca Senna e a Havan, atrai investidores internacionais enquanto reforça estratégia global da incorporadora

Senna Tower: mesmo antes do início das obras, o projeto já ultrapassa R$ 2,2 bilhões em vendas (Divulgação/Divulgação)

Senna Tower: mesmo antes do início das obras, o projeto já ultrapassa R$ 2,2 bilhões em vendas (Divulgação/Divulgação)

Letícia Furlan
Letícia Furlan

Repórter de Mercados

Publicado em 8 de abril de 2026 às 11h01.

Última atualização em 8 de abril de 2026 às 11h39.

O maior prédio residencial do mundo ainda nem saiu do chão, mas já ocupa um papel central na estratégia da FG Empreendimentos de ampliar sua presença internacional. O Senna Tower, arranha-céu de 550 metros e 157 andares em Balneário Camboriú, concentra parte relevante dessa tese. Com VGV estimado em R$ 8,5 bilhões, o empreendimento virou o principal cartão de visitas da incorporadora para investidores globais.

“Nosso movimento internacional não é expansão territorial, é expansão de capital”, afirma Jean Graciola, CEO da FG, em entrevista à EXAME. “Estamos conectando investidores globais a ativos imobiliários brasileiros de excelência.”

Mesmo antes do início das obras, o projeto já ultrapassa R$ 2,2 bilhões em vendas. O avanço ocorre em paralelo à fase de fundação, considerada uma das mais complexas da obra.

Mas o empreendimento de mais de cem andares foi estruturado com investimento totalmente nacional. O Senna Tower é uma parceria entre FG Empreendimentos, marca Senna e Havan. O montante, de aproximadamente R$ 3 bilhões, é custeado pela FG e pela família Hang.

Agora, a estratégia passa por estruturar presença também fora do país — com escritório em Miami e aproximação com mercados como Portugal, Espanha e Itália — para ampliar a base de compradores e financiadores.

A aposta em capital internacional não é casual. O perfil do produto exige um público que vai além do mercado doméstico. Hoje, cerca de 16% das vendas do Senna Tower já vêm de compradores estrangeiros, percentual acima da média da própria FG, de 12%. Esse grupo inclui investidores da América Latina, Estados Unidos e Europa.

"Mais do que um indicador comercial, esses números refletem a capacidade da companhia de competir em um mercado global, atraindo capital estrangeiro a partir de atributos como engenharia de ponta, segurança jurídica e produtos com padrão internacional", explica Alex Brito, diretor comercial, marketing e experiência do cliente da FG.

As unidades mais exclusivas — como as coberturas triplex de 903 metros quadrados — podem chegar a R$ 300 milhões. A companhia mantém a estratégia de estruturar um leilão digital internacional para esses ativos, em linha com o posicionamento global do projeto e com o perfil desse público.

Hoje, os compradores já se concentram não só no Sul e Centro-Oeste, mas também em mercados como Estados Unidos e Europa. A expectativa é ampliar esse alcance à medida que a presença internacional da companhia se consolida.

Ao todo, o edifício terá 228 unidades, incluindo mansões suspensas, apartamentos de até 400 metros quadrados e coberturas de alto padrão. Os preços partem de R$ 28 milhões. Em linha com o posicionamento de ultra alto padrão, o projeto já supera R$ 100 mil por metro quadrado, acima da média da orla da cidade, que gira em torno de R$ 75 mil.

A previsão é que o projeto seja entregue em 2033. Mas Brito pondera: "Operamos com uma cultura de superação de prazos, sempre com responsabilidade técnica e sem qualquer concessão em relação ao padrão de excelência do projeto".

Faturamento bilionário

O Senna Tower se tornou peça-chave na estrutura financeira e no posicionamento da companhia. O projeto respondeu por cerca de 16% do resultado da FG em 2025, ano em que a empresa registrou lucro de R$ 503 milhões, com margem de 37% — mais que o dobro da média do setor.

Mais do que receita, o ativo cumpre uma função simbólica: reposicionar a marca no mercado global de ultraluxo. “Empreendimentos dessa magnitude não impactam apenas números, eles reposicionam marcas”, diz Graciola.

Apesar da busca por investidores estrangeiros, a companhia mantém baixa dependência de crédito bancário, com mais de 90% das vendas financiadas pela própria incorporadora. Na prática, isso permite oferecer prazos de até 120 meses — com meta de chegar a 160 — e reduzir a exposição às oscilações de juros, um dos principais gargalos do setor.

“Enquanto o mercado depende do crédito, nós construímos nossa própria capacidade financeira”, afirma o CEO.

Por trás do discurso de luxo, há também um desafio técnico incomum. A construção deve consumir entre 25 mil e 35 mil toneladas de aço, com uso de materiais de alta resistência desenvolvidos especificamente para o projeto.

O uso de vergalhões com resistência até 40% maior foi determinante para viabilizar a estrutura, reduzindo o peso e permitindo a altura recorde. A obra também deve incorporar elevadores de altíssima performance, com velocidade estimada em cerca de 10 metros por segundo — o suficiente para percorrer mais de cem andares em menos de um minuto.

Com investimento superior a R$ 3 bilhões, a obra deve começar nos próximos meses e levar cerca de sete anos. A previsão de entrega segue como 2033, embora a companhia opere com histórico de antecipação de prazos.

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