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Por que 2026 virou o novo 2016 — e o que essa nostalgia revela

Buscas no TikTok crescem 452% e playlists no Spotify sobem 71% enquanto creators e celebridades resgatam uma era de redes menos performáticas

Reese Witherspoon, Hailey Bieber e Demi Lovato: celebridades que entraram na trend de resgatar referências e estéticas associadas a 2016 nas redes sociais (Divulgação)

Reese Witherspoon, Hailey Bieber e Demi Lovato: celebridades que entraram na trend de resgatar referências e estéticas associadas a 2016 nas redes sociais (Divulgação)

Publicado em 24 de janeiro de 2026 às 19h59.

Última atualização em 24 de janeiro de 2026 às 20h00.

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E, de repente, parece que voltamos para 2016, aquele ano em que todo mundo usava o filtro de cachorro no Snapchat, postava boomerangs de taças brindando, aparecia em festivais com coroas de flores, desfilava com a moda da camisa xadrez e editava fotos no VSCO com granulação para parecer mais “conceitual”.

Essa tendência ganhou força global nos últimos dias. Reese Witherspoon recentemente publicou um carrossel de memórias com a legenda: “Ouvi dizer que estamos trazendo 2016 de volta”. No TikTok, Hailey Bieber, Demi Lovato e Charlie Puth também entraram na trend. Aqui no Brasil grandes creators como Julia Trianda, Nat Cangueiro e Lucas Rangel trouxeram flashbacks do que era moda em 2016.

Os números trazem embasamento para esse fenômeno. Dados do TikTok indicam um aumento expressivo no interesse por “2016”, com as buscas pelo termo crescendo 452%. Estatísticas do Spotify mostram um aumento de 71% nas playlists de 2016 no ano passado em comparação com 2024, e artistas de grande sucesso também estão voltando.

A pergunta que fica é: por que estamos revivendo referências de uma década atrás?

Passados oficialmente 10 anos, o que as pessoas sentem falta não são as tendências, mas sim o ritmo. Um ano em que as fotos no Instagram não eram hiperproduzidas, a estética não era pautada em engajamento, alcance, e a vida digital parecia menos performática, ou seja, mais simples.

O psicólogo americano Clay Routledge, que têm se especializado no estudo da nostalgia desde 2001, diz que há dois fatores que impulsionam a obsessão por 2016: início de um novo ano e insegurança dos jovens com o futuro.

“Quando gerações atravessam períodos de turbulência ou incerteza, tendem a olhar para a própria juventude em busca de conforto, inspiração e orientação”, afirma.

No Brasil, o assunto está se aquecendo e isso abre uma janela estratégica, tanto para marcas, quanto para creators: alavancar o alcance e engajamento antes que se torne um tema saturado nas redes sociais.

Quando o agora se torna exaustivo, engessado e performático, a memória vira refúgio. Esse retorno a 2016 não se trata de repetir uma década, mas sim de resgatar uma sensação.

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