Marketing

Oppo acelera no Brasil com celulares de R$ 1 mil e meta de ser top 2 do Android

Com foco em aparelhos com preços mais acessíveis, expansão no varejo e investimento dobrado em marketing, fabricante chinesa quer transformar o país em um de seus cinco mercados mais relevantes

Novo A6x é parte da estratégia da Oppo para ampliar presença no segmento de maior volume do mercado de smartphones no Brasil (Divulgação)

Novo A6x é parte da estratégia da Oppo para ampliar presença no segmento de maior volume do mercado de smartphones no Brasil (Divulgação)

Juliana Pio
Juliana Pio

Editora-assistente de Marketing e Projetos Especiais

Publicado em 4 de março de 2026 às 09h00.

A Oppo decidiu acelerar no Brasil. Depois de dois anos testando o mercado com produtos importados e estruturando a operação com produção local e expansão gradual da distribuição, a fabricante chinesa de smartphones passa a mirar o segmento de maior volume do país, na faixa de cerca de R$ 1.000. Além disso, iniciou um plano de crescimento que combina ampliação de portfólio, aumento do investimento em marketing e uma meta ambiciosa: chegar a 2029 como a segunda marca mais vendida entre aparelhos Android no mercado nacional.

A ofensiva ocorre em um setor em que poucos players concentram a maior parte da base instalada. Entre os aparelhos mais populares no país estão os da Samsung, Motorola e Apple. Mas, assim como vem ocorrendo no mercado de automóveis, marcas chinesas, como Xiaomi, Realme, Jovi, Huawei, Honor, Infinix e a própria Oppo, têm ampliado presença.

Parte dessa expansão passa por levar para faixas de preço mais baixas recursos que antes ficavam restritos aos modelos topo de linha, o que costuma atrair consumidores mais jovens e sensíveis ao custo-benefício. Em setores de bens de consumo altamente competitivos, no entanto, visibilidade também pesa — e o clássico “quem não é visto não é lembrado” acaba prevalecendo.

“Agora, a gente quer aparecer mais. O plano, além de ampliar o portfólio, é dobrar a produção e dobrar o investimento em mídia”, diz André Alves, Gerente Sênior de Vendas da Oppo Brasil, em entrevista à EXAME.

Segundo ele, o mercado brasileiro deve se tornar, nos próximos anos, um dos cinco mais relevantes do mundo para a empresa, que hoje está presente em mais de 70 mercados.

Mais de 3 mil pontos de venda

Parte do grupo chinês BBK Electronics, que também controla a Realme, a Oppo figura entre as cinco maiores fabricantes de smartphones do mundo, atrás de Apple, Samsung, Xiaomi e Vivo, segundo a consultoria Counterpoint. Globalmente, a empresa tem cerca de 40 mil funcionários, 12 fábricas e 740 milhões de usuários.

A operação brasileira começou em 2022, inicialmente com aparelhos importados. A ideia era entender o comportamento do consumidor local enquanto estruturava a operação no país. A virada veio em 2024, quando a empresa iniciou a produção nacional em parceria com o Grupo Multi (ex-Multilaser), com fábricas em Manaus (AM) e Extrema (MG).

“A gente passou dois anos pesquisando o consumidor brasileiro antes de escalar a operação. O Brasil é um mercado muito grande e precisava de uma estrutura local”, diz Alves. Hoje, segundo ele, todos os smartphones vendidos aqui são produzidos localmente e passam pelos mesmos testes e protocolos internacionais de qualidade adotados em outros mercados.

Ao mesmo tempo, a empresa construiu gradualmente sua presença no varejo. Em vez de entrar em múltiplos canais ao mesmo tempo, começou com poucos parceiros e ampliou a distribuição à medida que ganhava espaço. “Começamos com Magazine Luiza, depois vieram Claro, Vivo, Casas Bahia. Foi um trabalho de maturação do ponto de venda”, conta o executivo.

Hoje, a marca está presente em mais de 3 mil pontos de venda físicos no país, além de marketplaces como Amazon e Mercado Livre, e prepara a entrada em varejistas regionais, além da expansão para novos canais digitais, como a Shopee.

André Alves, Gerente Sênior de Vendas da Oppo Brasil (Divulgação)

Foco em volume e escala

No Brasil, a Oppo comercializa atualmente duas famílias principais de smartphones: a linha A, voltada ao segmento de entrada, e a linha Reno, posicionada no intermediário premium, com foco em design e fotografia. Para completar o portfólio, a empresa planeja trazer ainda no primeiro semestre aparelhos da Find, que representa o topo de linha global da companhia.

Nos primeiros anos de operação local, a estratégia priorizou a construção de imagem e posicionamento com a Reno, cujos modelos têm preços mais elevados, entre R$ 3 mil e R$ 4 mil. No plano para 2026, no entanto, a fabricante passa a mirar o segmento de maior volume do mercado brasileiro de smartphones como forma de ampliar participação.

O primeiro passo nessa nova fase é o lançamento do A6x, com preço sugerido de R$ 1.099. Até então, o aparelho mais acessível do portfólio estava na faixa de R$ 1.500, o que limitava a presença da companhia em uma categoria considerada estratégica para ganhar escala.

“Quando a gente desce para essa faixa de preço, passamos a conversar com um público novo”, diz Alves. Ele conta que a decisão de entrar nesse segmento foi baseada em pesquisas conduzidas pela empresa desde a chegada ao Brasil.

Nos estudos com consumidores, conforme explica, três atributos apareceram de forma recorrente entre os fatores de decisão de compra: bateria de longa duração, resistência do aparelho e pagamento por aproximação (NFC). “O brasileiro usa muito transporte público e precisa de NFC para pagar passagem ou compras rápidas. Muitos aparelhos nessa faixa de preço ainda não oferecem esse recurso”, afirma.

O A6x foi desenvolvido para responder a essas demandas. O aparelho chega ao mercado com bateria de 6.500 mAh, suporte a pagamento por aproximação, recursos de inteligência artificial aplicados à imagem e ao desempenho, além de carregamento reverso, que permite utilizar o dispositivo como fonte de energia para outros aparelhos. O modelo também será vendido com dois anos de garantia.

A companhia prevê lançar até 15 variações da família A6, com diferentes combinações de cores, configurações e canais de venda. Parte dos modelos será direcionada exclusivamente ao e-commerce, enquanto outros devem reforçar a presença da marca no varejo físico.

A força dos promotores

Parte da estratégia para ganhar espaço no mercado brasileiro passa pelo ponto de venda. A Oppo mantém mais de 2 mil promotores próprios distribuídos em lojas de varejistas e operadoras parceiras. Na prática, eles atuam como especialistas da marca, auxiliando consumidores na configuração do aparelho, transferência de dados, instalação de aplicativos e adaptação ao novo sistema.

“Quando o consumidor decide trocar de celular, ele tem medo de perder fotos, contatos ou aplicativos. Nosso promotor resolve isso ali na hora. Isso cria confiança e fideliza”, afirma Alves.

Segundo ele, o modelo também impacta diretamente o desempenho comercial das lojas. “A gente percebe que menos clientes saem sem comprar quando existe esse atendimento. Isso aumenta a produtividade do varejo.”

Embora a Oppo não divulgue participação de mercado no Brasil, Alves afirma que a marca começou a ganhar tração no varejo ao longo de 2025. Um dos sinais citados é o desempenho da linha Reno, cuja demanda superou as projeções iniciais da companhia.

“A procura foi tão alta que tivemos que rever a produção para o primeiro semestre. Isso surpreendeu inclusive os varejistas.”

Outro indicador é o avanço no reconhecimento da marca entre consumidores. “Em 2022 quase ninguém conhecia a Oppo. Hoje, nos focus groups, as pessoas já dizem que ouviram falar da marca ou conhecem alguém que comprou”, afirma Alves.

De acordo com dados internos da empresa, a operação na América Latina cresceu 49% em 2025, impulsionada pela ampliação de canais e pela entrada em novos mercados.

Mariana Passos, gerente sênior de comunicação da Oppo Brasil (Divulgação)

Investimento dobrado em marketing

A ampliação do portfólio vem acompanhada de uma mudança no ritmo de comunicação da Oppo no Brasil. Para sustentar a nova fase de crescimento, a empresa prevê dobrar o investimento em mídia em 2026 em relação ao ano passado. A linha A será o foco da principal campanha do período, que inclui filme publicitário e presença mais intensa no digital.

“Nosso foco principal é mídia digital, porque é onde o público jovem está”, afirma Mariana Passos, gerente sênior de comunicação da Oppo Brasil. A campanha será produzida pela Cine, com direção dos Walking Brothers, enquanto o planejamento e a compra de mídia ficam a cargo da MediaBrands.

Segundo Mariana, a maior parte do orçamento de marketing costuma se concentrar nos períodos de lançamento. “Historicamente, cerca de 80% do budget de marketing do semestre fica nesses momentos, quando fazemos o maior esforço de construção de marca”, afirma.

Nos últimos anos, contudo, a empresa vem testando diferentes frentes de comunicação no país, combinando tecnologia, entretenimento e cultura pop. Entre as iniciativas estão uma edição limitada de smartphone inspirada em Star Wars, com 25.583 unidades numeradas globalmente, apresentada durante a Comic Con Experience (CCXP), e a participação como smartphone oficial da São Paulo Fashion Week, onde conteúdos do evento foram captados com aparelhos da companhia para destacar os recursos de fotografia.

A Oppo também realizou ações de merchandising em programas de TV, como The Noite, do SBT, e inserções em transmissões, incluindo Champions League e Big Brother Brasil. No campo acadêmico, promove ativações em universidades, com iniciativas na ESPM e parceria com o Sinusp, centro acadêmico da Universidade de São Paulo. Globalmente, tem o ex-jogador Kaká como embaixador e prepara a chegada de um novo nome brasileiro.

Edição limitada da Oppo inspirada em Star Wars, lançada globalmente com 25.583 unidades, foi apresentada ao público brasileiro na CCXP (Divulgação)

Desafio de marca

Além da ampliação da linha A, a Oppo prepara novos movimentos para fortalecer sua presença no mercado brasileiro nos próximos meses. Entre eles está a chegada da linha Find, categoria flagship da marca, posicionada no topo do portfólio e com foco em fotografia avançada.

A empresa também planeja ampliar o ecossistema de produtos no país com o lançamento de relógios inteligentes e fones de ouvido.

No varejo, prevê inaugurar sua primeira loja própria no Brasil ainda no primeiro semestre, ao mesmo tempo em que amplia a presença em marketplaces e reforça o e-commerce. A Oppo também inaugurou recentemente um call center próprio em São Paulo, o primeiro da empresa na América Latina.

Mesmo com a expansão de portfólio e canais, os executivos reconhecem que o principal desafio no país ainda está ligado ao fortalecimento da marca. “A tecnologia a gente tem. O grande desafio é a marca”, afirma Alves.

Globalmente, a Oppo figura entre as maiores fabricantes de smartphones do mundo. Segundo dados da Counterpoint e da IDC, a companhia terminou 2025 como a quinta maior fabricante global, com cerca de 8% de participação de mercado. Em alguns períodos do ano chegou a ocupar a quarta posição em vendas globais, enquanto mantém presença especialmente forte em mercados asiáticos.

Na China, por exemplo, a empresa chegou à segunda colocação no quarto trimestre, com 15,8% das vendas, e ocupa posições relevantes também no Sudeste Asiático. Esse desempenho regional ajuda a sustentar a base global da companhia enquanto ela tenta ampliar presença em mercados maduros, como Europa e América Latina, movimento do qual o Brasil faz parte.

O cenário do setor, no entanto, traz desafios adicionais. Projeções da IDC indicam que as vendas globais de smartphones podem cair 12,9% em 2026, para cerca de 1,1 bilhão de unidades, pressionadas pela escassez de chips. O impacto tende a ser maior justamente nos aparelhos Android de menor preço, categoria que concentra grande volume de vendas.

Para Alves, apesar dos desafios, os sinais entre os consumidores da marca são positivos. “Quando a pessoa compra e usa o aparelho, ela volta e indica para outras. O desafio é fazer mais gente conhecer a marca.”

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