Nos próximos 18 meses a S4 Sports projeta a criação de até 3 novos PIs. (Campeonato para redes sociais - Monkey Business Images/Shutterstock)
Repórter Bússola
Publicado em 27 de abril de 2026 às 13h00.
Última atualização em 27 de abril de 2026 às 14h51.
As redes sociais e outros canais digitais estão se tornando os novos bares frequentados pelos fãs de esporte durante os jogos. E num país que ocupa o 2° lugar no ranking mundial de maior tempo de tela e também no ranking de consumo digital de esportes, é natural se perguntar: quando irá surgir um campeonato de transmissão exclusiva para as redes e canais digitais?
A depender da S4 Sports, joint venture da Disruptive Play e a SISU Ventures, o formato estará entre nós em menos de dois anos. Com investimento inicial de US$ 5 milhões a empresa nasce com objetivo de acelerar a migração do consumo esportivo para o ambiente digital.
“Quando um novo player aparece nesse mercado ele começa já com uma dependência pesada de direitos autorais já existentes para a transmissão de diferentes campeonatos. É um jogo de retornos decrescentes que queremos escapar com a criação de propriedades intelectuais (PIs) originais”, explica Michael Cohen, sócio Disruptive Play.
De fato, quando exploramos exemplos como o da CazéTV, popular pela aquisição dos direitos de transmissão da Copa do Mundo da FIFA 2026, encontramos uma dependência óbvia, consequência de um fato simples: os campeonatos ou nasceram ou já se consolidaram na TV.
A proposta da S4 Sports passa por todo o ecossistema digital por onde cerca de 82% dos fãs de esportes brasileiros acompanham os eventos. A cultura está estabelecida, basta utilizá-la para impulsionar novos formatos com direitos autorais próprios da companhia.
"Estamos olhando para lugares, onde milhões de pessoas já estão se reunindo, onde já existe uma comunidade. Seja em torno do funk, do basquete de rua ou do rap. Assim que vamos criar o próximo UFC, a próxima Fórmula 1 ou até mesmo o próximo The Voice", Cohen explica.
O americano é ex-CEO da Whistle, companhia de mídia esportiva que cresceu até os US$100 milhões em receita antes da venda. Cohen conheceu o brasileiro Cadu Ferreira, CEO da SISU, há mais de 10 anos e partiu dos dois a ideia da empresa.
A abertura exigiu período de cerca de 18 meses de amadurecimento, utilizando os dados proprietários da SISU, grupo de investimentos focado em projetos no esporte, a experiência de Cohen com a Whistle e ferramentas de terceiros.
Assim foi criada a estratégia que engloba o ecossistema de criadores (creator economy) e todo o comportamento brasileiro em torno dos esportes no ambiente digital. Funcionando como uma “fábrica de PIs” a S4 projeta vanguarda em novos formatos nativo digitais.
"Nossa primeira PI é a Casa Cria, em colaboração com a KondZilla. A ideia é ter um lugar físico onde o conteúdo é gerado e com tudo o que acontece dentro da casa percorrendo todos os canais de mídia social", detalha Ferreira.
A Casa Cria é o primeiro ativo da S4, originada a partir da parceria com a KondZilla, que fará a curadoria dos influenciadores que viverão na casa durante cobertura da Copa do Mundo 2026. O modelo criado poderá ser replicado futuramente.
Segundo Ferreira, a Casa Cria já nasce lucrativa, com cotas de patrocínio que já podem gerar retorno do investimento (ROI) de até 300%. A PI foi projetada a partir de uma abordagem chave para a S4: os cohorts, focos sazonais em comunidades selecionadas.
“Consiste em não criar vários projetos ao mesmo tempo, mas sim reforçar a natureza cirúrgica da operação. Em cada cohort, testaremos uma ou duas novas PIs e só; isso nos dá foco para alocar melhor nossos investimentos", diz Ferreira.
Na esteira de produção de PIs também estão em fase de estruturação:
Nos próximos 18 meses a S4 Sports projeta a criação de até 3 novos PIs. A longo prazo (10 anos), a meta é ter um portfólio de 10 a 15 PIs ativas.
"O consumo dos grandes eventos esportivos hoje é multitela por definição. A transmissão ao vivo continua importante, mas a jornada real do fã acontece simultaneamente nas redes sociais, nos creators, nos grupos e nos conteúdos derivados. Isso muda completamente a forma de pensar propriedade intelectual, monetização e construção de comunidade.", conclui Pedro Lima, Senior Partner na SISU Ventures.