Seleção haitiana: país caribenho participa de sua primeira Copa desde 1974 (Divulgação/Seleção Haitiana)
Estagiária de jornalismo
Publicado em 19 de junho de 2026 às 12h00.
Haiti e Brasil se enfrentam nesta sexta-feira, 19, pela segunda rodada do Grupo C da Copa do Mundo de 2026. A partida será disputada às 21h30 (horário de Brasília), no Estádio de Filadélfia, nos Estados Unidos.
O confronto é um reencontro entre duas seleções que possuem uma relação construída para além dos gramados. Durante décadas, a equipe brasileira foi uma das principais referências esportivas para os haitianos.
No entanto, a classificação do Haiti para o Mundial de 2026 mudou essa relação. Pela primeira vez desde 1974, o país caribenho volta a disputar uma Copa do Mundo e passa a dividir a atenção dos torcedores com sua antiga seleção favorita.
A admiração haitiana pelo futebol brasileiro ganhou força especialmente a partir da Copa de 1982, quando a equipe liderada por Sócrates, Zico, Falcão e Toninho Cerezo encantou torcedores ao redor do mundo.
A relação também foi fortalecida em 2004, quando o Brasil liderou a Missão das Nações Unidas para a Estabilização no Haiti (MINUSTAH), criada para ajudar na recuperação da estabilidade política do país após um período de conflitos.
Naquele ano, a seleção brasileira realizou uma partida amistosa contra o Haiti, em Porto Príncipe, em um evento que ficou conhecido como “Jogo da Paz”. A iniciativa contou com apoio da FIFA e foi realizada em 19 de agosto de 2004, com vitória brasileira por 6 a 0.
O amistoso reuniu alguns dos principais jogadores brasileiros da época, como Ronaldo, Ronaldinho Gaúcho, Roberto Carlos, Júlio César, Juninho Pernambucano e Adriano.
Antes da partida, a chegada da seleção brasileira ao estádio foi acompanhada por uma grande manifestação popular. Milhares de haitianos seguiram o comboio que levava os jogadores pelas ruas de Porto Príncipe, com torcedores ocupando espaços como árvores, carros e telhados para ver de perto os atletas, de acordo com a cobertura de O Globo na época.
Apesar da goleada brasileira, o resultado ficou em segundo plano para os torcedores haitianos. A população comemorou a presença dos craques e transformou o evento em um momento de celebração.
O reencontro de 2026 será apenas o terceiro confronto entre as seleções principais de Brasil e Haiti. Além do amistoso de 2004, as equipes se enfrentaram pela Copa América de 2016, quando o Brasil venceu por 7 a 1.
Na nova disputa, o cenário é diferente. O Haiti chega ao Mundial vivendo um momento histórico, a seleção, conhecida como “Grenadiers”, garantiu a classificação após liderar seu grupo na terceira fase das Eliminatórias da Concacaf.
Na campanha, o Haiti perdeu apenas uma partida na terceira fase e somou resultados importantes contra adversários tradicionais da região, como Costa Rica e Honduras. A vaga foi confirmada após vitória por 2 a 0 sobre a Nicarágua.
O Haiti disputou apenas uma Copa do Mundo em sua história antes de 2026. A estreia aconteceu em 1974, na Alemanha Ocidental, quando a equipe enfrentou Itália, Argentina e Polônia na fase de grupos.
Naquele Mundial, o atacante Emmanuel Sanon marcou os dois únicos gols haitianos na história da competição. Um deles entrou para a história por abrir o placar contra a Itália, encerrando uma sequência de 19 partidas da defesa italiana sem sofrer gols.
Em 2026, o retorno ao torneio mobilizou o país. De acordo com reportagem da AP, torcedores passaram a vestir camisas da seleção haitiana e a tratar a equipe como símbolo de esperança em meio a uma crise marcada por violência, dificuldades econômicas e deslocamentos internos.
A ligação entre os países também passa pela atuação brasileira em missões internacionais. Entre 2004 e 2017, o Brasil comandou a Missão das Nações Unidas para a Estabilização do Haiti (MINUSTAH).
Ao longo da operação, cerca de 36 mil brasileiros participaram da missão, que teve como objetivos apoiar a segurança, a transição política e os esforços de reconstrução do país após o terremoto de 2010.
A cooperação entre Brasil e Haiti também envolveu projetos de desenvolvimento, saúde e formação profissional. Desde 2012, o Brasil adotou uma política migratória humanitária para haitianos, com mais de 90 mil vistos emitidos. Atualmente, cerca de 160 mil haitianos vivem no Brasil.