Público durante o Rock in Rio 2026 (Divulgação/Rock in Rio)
Repórter de Marketing
Publicado em 14 de setembro de 2026 às 10h24.
O fim de um festival de música não significa exatamente o fim da influência daquele evento sobre o público. De acordo com um levantamento inédito feito pela BR Media, conteúdos publicados depois dos shows têm quase quatro vezes mais compartilhamentos do que aqueles publicados durante os eventos.
Chamada "Festivais de Música como Território Cultural de Influência", a pesquisa analisou 1.720 conteúdos orgânicos de creators sobre festivais brasileiros publicados entre 2024 e 2026. Foram considerados diferentes indicadores de influência digital, como engajamento, compartilhamento, favorabilidade e talkability.
"O principal aprendizado do estudo é que os festivais operam hoje como ecossistemas de influência cultural", destaca Thiago Bispo, presidente da BR Media.
Segundo o levantamento, o período anterior aos eventos concentra o maior índice de talkability, métrica que mede a capacidade de um conteúdo estimular conversas, interpretações e discussões espontâneas.
Comentários sobre o line-up, dicas de planejamento, deslocamento, looks e recomendações começam a circular semanas antes da abertura dos portões. Nesse momento, os creators funcionam principalmente como curadores, ajudando o público a selecionar o que merece atenção.
Quando o público chega ao festival, a favorabilidade chega a 38,38%, indicando uma percepção positiva da experiência entre a audiência analisada.
Curiosamente, o pico de compartilhamentos vem depois. É no período posterior aos festivais que aparece um dos resultados mais relevantes do estudo. Embora a experiência presencial tenha terminado, os conteúdos publicados depois registram os maiores índices de engajamento e compartilhamento.
A taxa média de engajamento chega a 6,32%, enquanto o índice de compartilhamento alcança 6,38%. O compartilhamento é quase quatro vezes superior ao registrado durante os festivais.Depois dos shows, vídeos, TBTs, relatos e registros pessoais ajudam a reorganizar a experiência e transformá-la em memória compartilhada. É também quando o papel dos creators muda, passando a selecionar quais momentos serão lembrados e continuarão circulando.
Outro ponto destacado pela pesquisa é a participação do próprio público na produção de conteúdo. Segundo o levantamento, conteúdos gerados por usuários, o chamado UGC (User Generated Content), têm potencial de produzir até dez vezes mais talkability do que conteúdos tradicionais de influência.
O resultado coloca fandoms e comunidades como parte importante da dinâmica de circulação dos festivais. A conversa deixa de depender exclusivamente de grandes perfis e passa a ser alimentada também por pessoas que compartilham interesses, referências e códigos culturais.
Para o marketing, a mudança desloca parte da atenção do alcance para a participação:
"O que determina o impacto para as marcas não é apenas a presença física no evento, mas a capacidade de participar das conversas que moldam comportamento, recomendação e pertencimento. É nesse espaço que a influência se converte em relevância para o negócio", finaliza Bispo.