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A Selic vai cair em 2026: onde investir para surfar em juros menores?

Especialistas indicam estratégias para travar boas taxas, proteger o poder de compra e buscar valorização com a queda da Selic

Bora investir? O cenário de juros altos está próximo do fim, e as melhores oportunidades podem surgir para quem agir antes da virada. (OsakaWayne Studios/Getty Images)

Bora investir? O cenário de juros altos está próximo do fim, e as melhores oportunidades podem surgir para quem agir antes da virada. (OsakaWayne Studios/Getty Images)

Letícia Furlan
Letícia Furlan

Repórter de Mercados

Publicado em 5 de janeiro de 2026 às 15h53.

Com a expectativa de que a Selic inicie um ciclo de queda em 2026, investidores já começam a repensar a alocação de suas carteiras. O cenário de juros altos está próximo do fim, e as melhores oportunidades podem surgir para quem agir antes da virada.

“O ano que vem exige mais estratégia e menos apego ao passado recente”, diz Patricia Palomo, especialista em investimentos, em referência à necessidade de rever as escolhas tradicionais diante da mudança na política monetária.

Já a especialista Catherine Cruz ressalta a importância de travar taxas vantajosas agora, antes que o CDI alto desapareça por causa da expectativa de queda de juros já para o ano que vem. “A ênfase é direcionar os clientes para investimentos de longo prazo que garantam enriquecimento real”, explica.

A seguir, veja as principais recomendações das especialistas em renda fixa e variável ouvidas pela reportagem.

Renda fixa

  • Pós-fixados: para segurança e liquidez no curto prazo

Para quem busca segurança e liquidez imediata, os investimentos pós-fixados continuam sendo uma excelente opção, especialmente aqueles isentos de impostos. Catherine recomenda alocar uma parte significativa da carteira nesses ativos, com prazo curto e alta liquidez, para garantir flexibilidade no momento da queda da Selic.

“Investir em pós-fixados, principalmente em CDBs e LCAs isentos de impostos, é uma forma eficiente de aproveitar as taxas de juros ainda altas antes da queda. Além disso, a liquidez desses produtos permite que o investidor resgate o dinheiro rapidamente, o que é essencial diante de um cenário de incerteza futura”, explica Cruz.

A recomendação é evitar pós-fixados longos, pois as taxas que estão sendo oferecidas para prazos longos (10 anos ou mais) ainda não são atrativas. Com a queda da Selic, novas oportunidades mais vantajosas devem surgir no mercado, o que torna arriscado travar uma taxa baixa por um longo período.

  • Pré-fixados: oportunidade no médio prazo

Para aqueles que têm uma visão um pouco mais de médio prazo, entre 3 a 4 anos, os pré-fixados são uma alternativa interessante. Catherine também recomenda CDBs, LCs e LCAs como instrumentos adequados para essa estratégia.

“Com a expectativa de que a Selic comece a cair em 2026, é uma boa oportunidade de travar uma taxa pré-fixada de 13% a 14% ao ano para o prazo de 3 a 4 anos. Isso oferece uma rentabilidade interessante, sem o risco de volatilidade do mercado de ações”, afirma Cruz.

Quando os juros caem, o preço dos títulos pré-fixados sobe pelo mecanismo clássico de marcação a mercado. “Para quem acredita que o ciclo de queda continuará, travar uma taxa prefixada agora permite capturar tanto a taxa contratada quanto um potencial ganho adicional à medida que a curva futura ajusta para baixo”, explica Palomo.

A especialista alerta, no entanto, para o risco de prazos longos demais, como 10 anos, que podem não compensar no contexto atual.

  • Inflação: proteção para o longo prazo

A recomendação para quem busca proteção contra a inflação no longo prazo são os títulos atrelados ao IPCA, como o Tesouro IPCA+.

Cruz sugere que, para quem planeja investir por um período mais longo (10 a 15 anos), esses ativos oferecem uma excelente oportunidade, especialmente se forem isentos de impostos.

"O IPCA+ oferece o melhor dos dois mundos: proteção contra a inflação e uma rentabilidade real considerável. Se você está em busca de um investimento de longo prazo, busque IPCA + 7% a 7,5%, com emissões de empresas de qualidade como Suzano ou Klabin. Esses ativos historicamente oferecem um retorno superior ao CDI", explica a especialista.

Além de garantir que o poder de compra seja preservado, esses títulos também têm um risco de crédito muito baixo, uma vez que são emitidos por grandes empresas sólidas no mercado.

Renda variável

Esse cenário favorece principalmente as companhias intensivas em capital e com maior sensibilidade ao crédito — como as de varejo, bens de consumo e serviços — que passaram 2025 sob forte pressão de custos financeiros e margens comprimidas. O alívio nos juros tende a destravar valor para o setor e reaquecer resultados financeiros, após um desempenho inferior a outras áreas da bolsa.

No varejo, a equação é direta: com crédito mais barato e maior renda disponível, o consumo tende a reagir. Isso melhora a perspectiva de receita e impulsiona os papéis dessas empresas, que historicamente estão entre as primeiras a sentir os efeitos da flexibilização monetária.

Outro bloco que volta ao radar dos investidores são os setores de infraestrutura, como energia, saneamento e logística. Esses segmentos operam com projetos de longo prazo e grande necessidade de capital — o que os torna particularmente sensíveis ao juro real. A queda da Selic reduz o peso da dívida nos balanços, melhora os fluxos futuros e eleva os valuations dessas companhias.

Com isso, empresas com fluxo de caixa previsível e demanda estável passam a ser vistas como opções mais atrativas para compor carteiras diversificadas, especialmente em momentos de maior incerteza internacional.

O que evitar

Ambas as especialistas alertam para um erro comum: aceitar retornos baixos em ativos arriscados. A recomendação é comparar qualquer investimento com o Tesouro Direto, referência de baixo risco.

“Não vale correr mais risco por um ganho pequeno. A relação risco-retorno precisa ser vantajosa”, finaliza Catherine Cruz.

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