Investimento: juros elevados ajudam a poupança a bater a inflação (Getty/Getty Images)
Repórter de finanças
Publicado em 10 de janeiro de 2026 às 11h00.
A poupança, um dos investimentos mais procurados pelos brasileiros, encerrou o ano com um rendimento acima da inflação — cumpriu com aquilo que os investidores esperam, preservar o poder de compra.
Em 2025, segundo levantamento da Elos Ayta, o rendimento da poupança superou a inflação pelo quarto ano consecutivo, com ganho real de 3,77% Trata-se do melhor resultado desde 2006, quando o ganho acima da inflação chegou a 5,10%.
O motivo foi que a taxa de juros no Brasil está em níveis mais elevados, enquanto a inflação desacelerou. Pela regra atual, quando a Selic está acima de 8,5% ao ano, a poupança passa a render um valor fixo de 0,5% ao mês, acrescido da TR (totalizando aproximadamente 6,17% no ano + TR).
“Com esse cenário, o rendimento anual da poupança foi suficiente para superar a inflação (gerando assim um ganho real), algo que não ocorria em vários momentos anteriores, quando os juros eram mais baixos e a inflação mais pressionada”, explica Cecílio Costa, assessor de investimentos da Mhydas Planejamento Financeiro.
Um exemplo foi a pandemia em que a poupança começou a render abaixo de 2% ao ano e a inflação chegou a um patamar acima de 10%. De acordo com o estudo, isso aconteceu em diversos momentos, como entre 2013 e 2021, em que a poupança passou longos períodos oferecendo ganhos reais irrisórios ou até negativos.
Em 2025, o cenário é outro: inflação comportada, juros elevados e uma remuneração nominal de 8,19% permitiram à caderneta recuperar parte do terreno perdido.
Entretanto, quando comparado com o CDI, a poupança perde de longe. No ano passado, o CDI entregou um ganho real de 9,65%, mais de duas vezes e meia o retorno da poupança.
De acordo com dados da Elos Ayta, não se trata de um episódio isolado. Na série histórica de 2006 a 2025, o CDI superou a poupança em todos os anos quando o critério é ganho real, ou seja, aumento efetivo do poder aquisitivo do investidor.
Por isso, é necessário avaliar o custo de oportunidade da poupança.
Mesmo produtos conservadores, como fundos referenciados DI que rendem 90% do CDI, teriam apresentado desempenho superior ao da poupança ao longo de toda a série analisada, ainda mantendo liquidez diária e risco baixo.
A poupança é uma aplicação pouco eficiente, explicam os especialistas. Apesar de ser isenta do Imposto de Renda (IR), há outros investimentos, como LCI, que também são isentos e rendem acima do CDI.
“Hoje você tem aplicações que rendem mais do que o CDI, com liquidez praticamente diária, e também isentos de IR. Não tem muito sentido uma pessoa investir na poupança. Por qualquer ótica, de risco de tributação ou de rendimento, tem investimentos muito melhores”,
Outro ponto de atenção é a falsa sensação de liquidez do produto, comenta Guilherme Almeida, head de Renda Fixa da Suno Research, Isso porque na caderneta de poupança, o investidor consegue acessar o recurso investido a qualquer momento, porém a rentabilidade ela só é acessada na data de aniversário da aplicação.
“Exemplificando, se o investidor fez um aporte na caderneta de poupança no dia 5 de um determinado mês, para ele acessar a rentabilidade auferida no período entre aplicação e o resgate, ele precisa esperar a data de aniversário dessa aplicação”, diz.