Minhas Finanças

O que os gurus dizem sobre investimentos em ouro

O metal tirou proveito da fraqueza do dólar, subiu em todos os anos desde 2001 e não para de bater recordes; veja o que esperar daqui em diante

Valorização crescente divide os gurus financeiros entre os que creem na formação de uma bolha e os que apostam no ativo para ganhar (Sebastian Derungs/AFP)

Valorização crescente divide os gurus financeiros entre os que creem na formação de uma bolha e os que apostam no ativo para ganhar (Sebastian Derungs/AFP)

DR

Da Redação

Publicado em 19 de agosto de 2011 às 09h26.

São Paulo - No dia em que a aversão ao risco voltou a tomar conta do mercado, as bolsas registraram quedas vertiginosas, o dólar subiu e o ouro disparou, superando a barreira recorde de 1.820 dólares por onça-troy. O roteiro, seguido à risca em tempos de crise e repetido nesta quinta-feira, é um velho conhecido dos analistas financeiros.

O ouro se valoriza em momentos de incerteza por ser um recurso físico limitado no mundo, com chances remotas de perder valor. De 2005 para cá, a ascensão já supera 300%. Se o metal funciona como termômetro do medo, os últimos acontecimentos reforçam que os investidores têm tido o que temer: o impasse fiscal na zona do Euro ameaça contagiar economias mais representativas e os últimos dados sobre o desemprego nos EUA dão mostras que o país pode mergulhar em uma nova recessão.

Especialistas concordam que a volatilidade não vai acabar de um dia para outro. Mas se há consenso quanto às causas da crise que vem chacoalhando o mercado, a garantia da escalada do ouro divide os gurus das finanças em times opostos.

Entre os conhecidos defensores do metal está o gestor que mais lucrou com a falência do mercado de hipotecas de alto risco na crise de 2008. Quando o preço dos imóveis nos Estados Unidos chegou perto do pico, John Paulson foi um dois poucos a apostar que o mercado iria ruir. O acerto lhe rendeu 4 bilhões de dólares e um retorno de quase 600% à frente do seu principal fundo.

Até então um desconhecido em Wall Street, Paulson ganhou fama e elegeu o ouro como sua nova sacada. No primeiro trimestre de 2009, ele comprou 31,5 milhões de ações do SPDR Gold Trust, um ETF lastreado no metal, com o preço médio do ativo a 895 dólares a onça. Em 2010, a estratégia lhe rendeu outros 5 bilhões de dólares. Na época, o megainvestidor afirmou que o ouro chegaria a valer 4.000 dólares a onça-troy em um prazo de três a cinco anos.

Neste ano, Paulson manteve a crença no ativo, deixando sua fatia no fundo intocada. Ele também não mexeu nos seus papéis da NovaGold Resources, uma companhia mineradora que extrai o metal no Canadá e no Alasca.

Na visão de Jim Cramer, ex-gestor de fundos e apresentador do popular programa Mad Money na rede americana CNBC, o ouro não funciona como uma commodity, mas sim como uma moeda. Isso porque ele se valoriza à medida que os países ricos continuam imprimindo dinheiro em uma tentativa de estimular suas combalidas economias. "O ouro permanece a melhor aposta contra o caos que parece crescer hora a hora ", reforçou na última semana. “Se o preço der uma pequena trégua nos próximos dias, meu conselho é que o investidor vá fundo no ativo.”

Nem tanto ao céu, nem tanto à terra, George Soros rebalanceou suas aplicações em ouro este ano. O lendário investidor, que ganhou 1 bilhão de dólares apostando contra a libra esterlina, disse em janeiro de 2010 que o metal estava na maior das bolhas. “Ele pode subir ainda mais, mas a valorização não vai durar para sempre”, sentenciou. Para lucrar com o rally do ativo, ele esperou até o primeiro trimestre deste ano para se desfazer da maior parte da sua posição em fundos garantidos no metal. As vendas chegaram a 800 milhões de dólares.


No extremo oposto dos entusiastas se situa o multibilionário Warren Buffett. Na reunião anual da holding de investimentos Berkshire Hathaway em abril, Buffett já desaconselhava o investimento no metal. Na ocasião, ele chegou a dizer que a fundição de todo o ouro do mundo resultaria em um grande cubo com cerca de 20 metros de cada lado. "Você pode polir esse cubo, afagá-lo e ficar admirando-o, mas apenas isso, já que o ouro não tem valor intrínseco", afirmou.

Para o Oráculo de Omaha, quem acredita na subida do metal está simplesmente apostando que mais tarde outra pessoa estará disposta a pagar mais pelo ativo. A lógica contraria o investimento em empresas, que têm linha de produção e geram riqueza ao longo do tempo. Criticando os novos investidores do metal, ele afirmou que o ouro não tem utilidade e que muitos agem como bobos quando os preços estão perto das máximas.

Para o economista-chefe da Principal Global Investors, Robert Baur, aqueles que advogam que o ouro é único ativo que subiu desde 2001 se esquecem de mencionar que entre 1980 e 2000 a cotação do ativo despencou 85%. Integrando a equipe que gere 270 bilhões de dólares de clientes institucionais e de previdência privada nos EUA, Bauer afirmou à EXAME.com que o ouro funciona como investimento quando o dólar está fraco, mas o movimento de agora já denuncia a formação de uma bolha. "Há propagandas sobre ouro nos intervalos da CNN, CNBC ou Fox em horário nobre. Qualquer coisa que seja tão divulgada e anunciada na TV não me parece um bom investimento", disse.

É hora de comprar?

No Brasil, o preço do ouro é calculado a partir do valor negociado em Nova York. Logo, o investimento sofre reflexo direto da variação do dólar. Quando a moeda norte-americana se desvaloriza, como vinha acontecendo nos últimos tempos, a queda tende a neutralizar a subida do ouro. Com o pessimismo contaminando as expectativas de recuperação econômica global, inicia-se um movimento contrário. Portanto, quem investe no metal por aqui deve acreditar tanto no ativo, quanto na estabilidade (ou queda) da moeda brasileira.

"O ouro não é um investimento que paga juros e, por isso, é usado essencialmente para a proteção do patrimônio", diz José Inácio, diretor da Reserva Metais. Para ele, o Brasil não experimentou a febre com o metal na mesma proporção do restante do mundo em função das altas taxas pagas pelos títulos públicos no país, que sempre garantiram um retorno certeiro na renda fixa.

Agora, a demanda vem crescendo em função do aumento à aversão ao risco. "Enquanto o ouro continuar sendo a única moeda que os países não podem acionar uma maquininha para imprimir e perdurar a preocupação com a economia, ele ainda vai subir", emenda Inácio, para quem o valor da onça troy chegará a 2.000 dólares ainda este ano.

Acompanhe tudo sobre:aplicacoes-financeirasCrises em empresasCommoditiesOuro

Mais de Minhas Finanças

Quanto eu teria hoje se tivesse investido em Embraer no começo do ano?

Quanto eu teria hoje se tivesse investido na Cogna no começo do ano?

Quanto eu teria hoje se tivesse investido R$ 1 mil na bolsa no começo do ano?

Mega Sena 2.963: ninguém acerta e prêmio acumula para R$ 63 milhões