Cuidado, sua própria família pode te deixar endividado

SPC Brasil aponta que 21% dos consumidores já usaram o nome de amigos e familiares para fazer compras e empréstimos. Auxílio é desaconselhado por consultores

	Casal analisa contas: pesquisa da SPC Brasil aponta que 21% dos consumidores já pediram nome emprestado para amigos e familiares
 (KatarzynaBialasiewicz/Thinkstock)
Casal analisa contas: pesquisa da SPC Brasil aponta que 21% dos consumidores já pediram nome emprestado para amigos e familiares (KatarzynaBialasiewicz/Thinkstock)
M
Marília AlmeidaPublicado em 14/07/2015 às 20:45.

São Paulo - Pedir para realizar compras e empréstimos com o nome de parentes e amigos é uma prática recorrente. Mas consultores financeiros aconselham a evitar essa forma de auxílio.

Levantamento do SPC Brasil e do portal Meu Bolso Feliz, divulgado com exclusividade para EXAME.com, aponta que dois em cada dez consumidores (21%) já pediram o nome emprestado a pais, amigos e familiares. O levantamento foi realizado entre os dias 23 e 31 de março com 642 pessoas, pertencentes a todas as classes econômicas e que vivem nas 26 capitais estaduais e em Brasília.

Outra pesquisa, realizada pela Recovery, empresa de gestão de créditos em atraso, mostra que os empréstimos feitos a familiares, amigos e conhecidos são a terceira causa mais citada como motivo do endividamento pelos 15 mil clientes da empresa: 16% afirmam ter ficado com dívidas por ter financiado compras para outras pessoas.

O risco de quem concede o empréstimo ficar endividado é alto porque a maioria das pessoas que pede esse tipo de ajuda já acumula outras dívidas, segundo o levantamento da SPC Brasil. Ou seja, a chance de que quem pede o empréstimo passar por um novo descontrole financeiro e não conseguir pagar a dívida é maior. 

As principais justificativas de quem pede o nome de parentes e amigos emprestado é ter ficado com o nome sujo (31%), ter atingido o limite do cartão de crédito (24%) e não ter cartão de crédito (21%). As pessoas mais procuradas são os pais (32%), amigos (21%), familiares, com exceção de esposa e irmãos (20%), irmãos (16%) e marido ou esposa (15%).

Os produtos mais adquiridos a partir do empréstimo do nome são calçados (37%), roupas (34%), eletrodomésticos (25%), móveis para casa (24%), computador/notebook/tablet (20%) e celular/smartphone (15%).

O que fazer

Segundo a pesquisa do SPC Brasil, quase a totalidade dos consumidores (95%) declaram ter pago as parcelas da dívida feita em nome do familiar ou amigo em dia. Mesmo assim, é melhor não arriscar, principalmente se o tomador do empréstimo já tiver um histórico de descontrole financeiro, diz José Vignoli, educador financeiro do portal Meu Bolso Feliz.

O mais indicado nesse caso, para evitar constrangimentos, é oferecer ajuda para organizar as finanças do endividado, recomenda Vignoli. "É uma forma de mostrar apoio e, ao mesmo tempo, dizer que não concorda com a forma encontrada pelo amigo para resolver o problema financeiro”, afirma o consultor.

O especialista ressalta que, ao assumir a dívida de outra pessoa, quem empresta o nome passa a arcar com todas as eventuais consequências financeiras e jurídicas que possam ser causadas pelo débito, caso o conhecido não consiga honrar o compromisso financeiro. “A responsabilidade sobre a dívida é sempre de quem contratou. Não há como se proteger contra isso”, alerta Vignoli.

Para quem não consegue negar o auxílio, principalmente se for pontual ou representar uma situação de emergência, é importante estar consciente do risco da operação. "Quem cede o nome pode não ter o dinheiro de volta", diz Vignoli. Ou seja, é melhor não contar com o valor para manter o orçamento equilibrado.

Como o tomador do empréstimo é uma pessoa conhecida, pode ser constrangedor cobrar o pagamento, diz o educador financeiro da SPC Brasil. Além disso, sem um contrato formal de empréstimo, será difícil obrigar o amigo ou parente a pagar a dívida.