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Brascan reduz preço-alvo das ações da Perdigão

Os papéis da companhia devem se valorizar menos do que o previsto em 2009 por causa da queda nas exportações, apostam os analistas

EXAME.com (EXAME.com)

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Da Redação

Publicado em 10 de outubro de 2010 às 03h34.

A redução na demanda externa por alimentos vai prejudicar o desempenho das ações da Perdigão em 2009, segundo relatório divulgado nesta segunda-feira pela Brascan Corretora. Baseados na expectativa de queda nas vendas para o exterior no primeiro trimestre de 2008, os analistas que cobrem a empresa revisaram o preço-alvo dos papéis ordinários da Perdigão (PRGA3), aqueles com direito a voto, dos 58,8 reais previstos originalmente para 52 reais, em dezembro de 2009.

Com a redução no preço-alvo, o papel deve chegar ao fim do próximo ano com uma valorização de 65,7% em relação ao valor registrado em 26 de dezembro deste ano, abaixo das expectativas iniciais.

Além das mudanças no cenário econômico mundial, contribuiu para a expectativa de queda nas vendas para o exterior o fato de a Perdigão ter anunciado um corte de 20% na produção de aves destinadas a exportação, como forma de ajustar seu nível de estoques no 1º trimestre de 2009. A empresa seguiu uma recomendação da Associação Brasileira dos Exportadores de Frango, que sugeriu às companhias do setor que reduzissem em cerca de 15% a produção de frangos, para se adaptar aos esfriamento do mercado global.

Nesta segunda-feira, a expectativa de ganhos menores se refletiu em desvalorização dos papéis da Perdigão. As ações ordinárias (PRGA3) fecharam o pregão em queda de 4,42%, cotadas a 30 reais.

A crise deve afetar também os investimentos da Perdigão em 2009, que cairão dos 960 milhões de reais previstos anteriormente para 740 milhões de reais, nos cálculos da Brascan. O destino prioritário desse montante devem ser os projetos já iniciados, como a fábrica de Bom Conselho (PE) e os aportes na gaúcha Eleva. A empresa foi adquirida em outubro de 2007, por cerca de 2 bilhões de reais, num movimento que levou a Perdigão à liderança do setor de alimentos no Brasil

Otimismo no longo prazo

Se no curto prazo a Perdigão vai sofrer com a crise mundial, as perspectivas de longo prazo permanecem positivas para a empresa. A companhia prevê recuperar o ritmo de exportações do meio para o fim de 2009 e fechar o ano com aumento de 5% nas vendas para clientes estrangeiros. No mercado de leites e derivados, mais ligado à demanda interna, a expectativa é de elevação de 7% nas vendas.

Os números ficam até um pouco abaixo dos indicados pela Brascan Corretora, que prevê crescimento de 6,6% para a companhia, com aumento de 5,2% nas vendas externas e 7,3% nas domésticas.

A Brascan também aposta que a Perdigão será capaz de compensar parte da queda na demanda abocanhando uma fatia maior no mercado mundial de exportação de aves. Devem contar a favor a depreciação do real, os preços competitivos do Brasil no setor e a solidez financeira da companhia, num momento em que as concorrentes nacionais e internacionais passam por sérias dificuldades

A companhia tende a se beneficiar ainda de um aumento na margem de lucro bruta, em razão da redução nos preços dos grãos, usados para alimentar as aves, e dos menores custos de captação do leite. Por fim, pesam favoravelmente os possíveis ganhos de sinergia com a integração dos sistemas de venda da Perdigão e da Eleva, a ser concluída no primeiro semestre do ano que vem.

Por causa desses fatores, a Brascan mantém a recomendação de compra para o papel e afirma que a Perdigão é “uma das empresas do setor com melhores condições para enfrentar a crise”.

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