Invest

Quanto eu teria hoje se tivesse investido na Cogna no começo do ano?

Acompanhe a simulação do investimento na ação. Papel sobe porque "fez a lição de casa", apontam analistas

Cogna: companhia subiu 238% em 2025 (Cogna/Divulgação)

Cogna: companhia subiu 238% em 2025 (Cogna/Divulgação)

Rebecca Crepaldi
Rebecca Crepaldi

Repórter de finanças

Publicado em 23 de janeiro de 2026 às 16h13.

Não só em 2025 como em 2026 a Cogna (COGN3) lidera as altas da bolsa, impulsionada por sinais consistentes de melhora operacional e expectativas positivas do mercado. Mas, segundo analistas, a valorização reflete mais a normalização da companhia do que um crescimento agressivo.

“O que sustenta a alta de COGN3 é a virada operacional: após anos de resultados fracos, a Cogna avançou no controle de custos e na reorganização dos negócios”, diz João Tonello, analista da Nomos.

No ano passado, a companhia acumulou uma valorização de 238% no ano. Só nesses 20 dias de pregão, a companhia sobe quase 38%.

Caso uma pessoa tivesse investido próximo a R$ 1 mil em Cogna na abertura do pregão do dia 2 de janeiro e vendido no final do pregão de 22 de janeiro, teria R$ 1.329,27.

Isso seria uma valorização líquida de 33,13%, considerando o desconto do Imposto de Renda (IR) de 15% sobre o lucro obtido. Confira a simulação feita por Carol Stange, educadora financeira.

Entretanto, Stange alerta: "Embora essas simulações de 20 dias mostrem ganhos expressivos, investir em ações é uma estratégia de longo prazo. No curto prazo, a bolsa é puro reflexo da volatilidade e de eventos pontuais", afirma.

Já no longo prazo, segundo ela, o investidor colhe o valor real gerado pelas empresas e o efeito dos dividendos. "Como sempre digo: na renda variável, o tempo é o maior aliado da rentabilidade e o melhor filtro contra riscos e ruídos passageiros."

Por que Cogna sobe tanto?

Tonello também destacou a melhora na estrutura de capital:

“Redução de riscos financeiros: melhora na estrutura de capital e foco em geração de caixa reduziram o ‘prêmio de risco’ do papel. E, considerando que a base vinha de múltiplos muito baixos, qualquer sinal consistente de melhora gera reprecificação forte.”

Ele avalia que o rali da Cogna é mais ligado à recuperação do que à expansão: “O mercado não está precificando crescimento agressivo, e sim sobrevivência mais eficiência. Faz sentido para quem quer volatilidade”.

Para Alexandre Pletes, head de renda variável da Faz Capital, os resultados positivos refletem o esforço da própria companhia nos últimos anos. “Cogna, no ano passado, fez a lição de casa: reverteu prejuízo, começou a lucrar e teve uma margem operacional interessante.”

Pletes aponta ainda fatores externos que ajudaram a impulsionar a ação recentemente. “Diversos bancos, através das suas casas de análise, deram visão otimista para o setor, tanto para a Cogna diretamente, que foi o caso do JP Morgan, quanto para o setor, que foi o caso do BTG e do Santander”, afirma.

E se tivesse investido no Ibovespa?

Se alguém tivesse investido no Ibovespa desde 2 de janeiro de 2026, o retorno teria sido positivo, mas não exagerado. Por exemplo, um aporte de R$ 952,38 no BOVA11, ETF mais conhecido que replica o índice, teria se transformado em R$ 1.023,92 até 22 de janeiro, já descontado o Imposto de Renda.

A valorização do índice, que chegou a bater recordes históricos acima de 175 mil pontos, reflete não apenas a queda esperada da taxa de juros no Brasil, mas também a entrada de capital estrangeiro, que já trouxe R$ 8,7 bilhões para a bolsa só neste mês. Além disso, fatores externos, como tensões geopolíticas, tornam os ativos brasileiros mais atraentes.

No entanto, especialistas alertam que movimentos de curto prazo não garantem continuidade. “Quando eu vou entrar num produto relacionado à renda variável, como ETF, ações ou FIIs, eu tenho que entender que não estou entrando para surfar o curto prazo — porque o risco é muito alto — e sim para o longo prazo”, afirma Cíntia Senna, Mestre em Educação Financeira.

A volatilidade é inevitável, e a perspectiva de longo prazo ajuda a diluir ruídos momentâneos e capturar o potencial de crescimento dos ativos.

Acompanhe tudo sobre:Cogna Educação (ex-Kroton)bolsas-de-valoresB3

Mais de Invest

Justiça paralisa operações da Vale em MG e impõe multa diária de R$ 100 mil

Ibovespa opera estável com 'blue chips' no zero a zero

IPOs nos EUA podem bater US$ 160 bilhões em 2026, diz Goldman Sachs

Capacidade das empresas de pagar dívidas piorou — e não foi só no Brasil