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Bancos defendem ação agressiva do Copom

Há risco de forte queda do PIB se o BC não ajudar a minimizar os impactos da crise

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Da Redação

Publicado em 10 de outubro de 2010 às 03h34.

A economia brasileira corre o risco de encolher significativamente neste ano caso o Banco Central não minimize os impactos da crise internacional com um corte ousado na taxa de juros a partir da reunião que termina nesta quarta-feira. E "ousado", nesse caso, significa algo maior que o 1 ponto percentual esperado até ontem pela maior parte dos analistas.

Após o Produto Interno Bruto (PIB) encolher 3,6% no quarto trimestre em relação ao terceiro e a produção industrial despencar 17,2% em janeiro sobre o mesmo mês de 2008, a luz amarela acendeu e vários bancos de investimento e corretoras revisaram suas expectativas para baixo.

Segundo a área de pesquisas do banco britânico Barclays, o resultado negativo da economia no quarto trimestre provoca um efeito estatístico - conhecido como "carry over" - que terá um impacto negativo de 1,5% no PIB de 2009.

"Os números [do PIB no quarto trimestre] sugerem que a nossa previsão para a economia brasileira em 2009 de queda de 0,5%, que já estava abaixo do consenso do mercado [+1,2%, segundo o boletim Focus], agora parece até otimista", afirmou o banco em relatório.

"Aplicada essa tendência negativa sobre nossas projeções para os próximos trimestres, nossa previsão para o PIB de 2009 cairia para -1,5%", escreveram os analistas Paulo Mateus e Rodrigo Valdes.

A justificativa para um corte de 1 ponto percentual pelo Copom nesta quarta seria a resistência da inflação. Apesar de os preços já estarem convergindo para a meta de 4,5% neste ano, a alta do dólar e a existência de um grande número de preços controlados na economia brasileira justificam certa cautela.

Mesmo com a rápida deterioração econômica, tarifas públicas como de energia e telefonia, reajustes sazonais como o de mensalidades escolares e o grande número de contratos indexados a índices de preço como os de aluguéis impedem que os recentes indicadores de deflação no atacado cheguem rapidamente ao consumidor.

Por outro lado, a sócia-gestora da Global Equity, Patrícia Branco, explica que a expectativa de contração da economia mundial em 0,5% neste ano deve manter os preços de alimentos e energia sob controle durante 2009

Além disso, o arrefecimento da demanda no Brasil deve exercer menor pressão sobre os valores cobrados por serviços e bens duráveis. "São cada vez menores as preocupações com o cenário de inflação para este ano", afirmou ela.

A economista-chefe do Banco Fibra, Maristella Ansanelli, também acredita que o risco de repique dos preços neste momento é bem menor do que o de uma desaceleração grave da economia brasileira devido à crise internacional.

Ela diz que, mesmo que o BC seja mais agressivo e aproveite o atual cenário para cortar os juros em 1,5 ponto percentual nesta quarta-feira, isso só será suficiente para minimizar os efeitos da crise.

Maristella acredita que países como o Brasil e a China devem liderar a recuperação da economia global, mas somente a partir do momento em que a crise bancária nos Estados Unidos e na Europa for estancada. E, até o momento, não há soluções definitivas para os problemas financeiros das economias desenvolvidas.

Após os dados do IBGE, até empresários deixaram o discurso mais otimista de lado e abandonaram o governo sozinho no discurso de que a crise será superada sem que a economia brasileira tenha de passar por uma recessão.

"A forte queda do PIB no último trimestre de 2008 explicita a intensidade dos impactos da crise econômica global sobre a economia brasileira e a urgência de se implementar medidas de combate a seus efeitos", disse o presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Armando Monteiro Neto.

Para o Barclays, além dos riscos para a economia neste ano, os números fracos do PIB do quarto trimestre também trazem uma preocupação fiscal. O ministro Guido Mantega (Fazenda) já disse que pode reduzir a meta de superávit primário de 3,8% do PIB neste ano - a decisão final deve ser conhecida no dia 20.

Para o Barclays, o governo precisaria manter o superávit primário em ao menos 3,2% para evitar o crescimento da relação dívida/PIB em um cenário de encolhimento econômico de 1,5%.

Com o risco fiscal, o banco acredita que caiu "significativamente" a probabilidade de um corte dos juros de apenas 1 ponto percentual na Selic nesta quarta. "Nós acreditamos que a alternativa agora seria um corte de 2 pontos percentuais, mas ainda apostamos que 1,5 ponto ainda é mais provável."
 

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