IPVA: criminosos copiam sites originais para aplicar golpes (Getty Images)
Repórter de finanças
Publicado em 16 de janeiro de 2026 às 15h32.
O ano começa e logo vem o pagamento do Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA). Em diversos estados, o calendário de quitação já está acontecendo. E, na hora de pagar, é preciso cuidado.
Uma pesquisa realizada pela Kaspersky identificou, até o momento, pelo menos 13 sites que forjam descontos no IPVA nos estados do Rio de Janeiro, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Mato Grosso do Sul e Santa Catarina para enganar vítimas.
“Esses sites incluem, por exemplo, referências ao DARJ no Rio de Janeiro, além de nomes como Detran e Sefaz, para transmitir uma aparência de legitimidade dependendo do local que a potencial vítima reside e convencer o contribuinte de que o desconto oferecido é verdadeiro”, explica Fabio Assolini, diretor da Equipe Global de Pesquisa e Análise da Kaspersky para a América Latina.
Criados por cibercriminosos, esses sites prometem descontos inexistentes para enganar os contribuintes. “O cenário de despesas obrigatórias e prazos curtos cria um senso de urgência que reduz a checagem das informações, facilitando a ação criminosa”, afirma Rafael Garcia, consultor especialista em prevenção a fraude da FICO.
Tudo começa pelo visual: os golpistas criam sites idênticos aos originais, usando o design, como logotipo, cores e linguagem semelhantes aos de órgãos públicos.
Para ser levados a essas falsas páginas, a Kaspersky explica que o usuário pode receber essas ofertas por diversos canais, como e-mail, campanhas em redes sociais, SMS ou até por meio de links/palavras-chave patrocinadas em buscadores, que fazem o site aparecer entre os primeiros resultados.
O fluxo é simples: o usuário informa o número do Renavam e, em seguida, exibe dados do carro, como modelo, ano de fabricação e cor do veículo, criando uma falsa sensação de segurança e autenticidade. O sistema gera um QR Code de Pix e oferece, muitas vezes, supostos descontos ou facilidade de pagamento.
“O valor pago não vai para o órgão público, mas para uma conta controlada pelos golpistas, o que faz com que o imposto continue em aberto”, diz Garcia. Por ser um pagamento instantâneo, dificulta a recuperação dos valores transferidos, pois o montante é pulverizado em diversas outras contas rapidamente.
Segundo a Kaspersky, as principais orientações são:
Além dos prejuízos financeiros, as vítimas podem ter seus dados pessoais expostos. “CPF, placa do veículo e informações de contato podem ser reutilizados em outros golpes”, diz Garcia.
Ele recomenda que, ao perceber o problema, a pessoa interrompa qualquer novo pagamento, avise imediatamente o banco e registre a ocorrência, além de redobrar a atenção a contatos suspeitos após o incidente.
Já Assolini reforça a importância de acionar autoridades competentes. “Caso alguém tenha caído em um golpe de site falso, a orientação é que a vítima registre o incidente junto às autoridades”, explica.
Segundo ele, registrar o caso ajuda a proteger contas comprometidas, bloquear transações suspeitas e alertar órgãos oficiais. Em golpes financeiros, como pagamentos via Pix, contatar o banco imediatamente é fundamental para tentar recuperar valores.
Para Garcia, ações rápidas podem fazer diferença na tentativa de recuperação e na prevenção de novos golpes.
“A vítima deve registrar um boletim de ocorrência, informar o banco o quanto antes e, se possível, comunicar o órgão público responsável pelo imposto”, afirma. Além de aumentar as chances de reaver o dinheiro perdido, essas medidas também contribuem para alertar outras pessoas sobre golpes em circulação.