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A valorização do banco estatal chegou a 874% em duas décadas, segundo a base de dados da Economatica (Rafael Henrique/Getty Images)
Repórter de Mercados
Publicado em 15 de agosto de 2026 às 16h58.
Última atualização em 15 de agosto de 2026 às 17h50.
Um investimento de R$ 10 mil em ações do Banco do Brasil (BBAS3) há 20 anos teria se transformado em aproximadamente R$ 97,4 mil até julho de 2026. O cálculo, feito pela Economatica a pedido da EXAME, considera a valorização acumulada da ação ajustada por proventos no período entre 31 de julho de 2006 e 31 de julho de 2026.
A valorização do banco estatal chegou a 874% em duas décadas, segundo a base de dados. O retorno acumulado considera dividendos, juros sobre capital próprio (JCP), desdobramentos e outros eventos corporativos que alteram a trajetória da ação.
Na prática, trata-se de uma simulação de retorno total, que pressupõe a incorporação desses proventos ao desempenho do investimento, sem considerar impostos, taxas ou outros custos de operação.
A trajetória também se manteve positiva em períodos menores. Um investimento hipotético de R$ 10 mil em BBAS3 há 15 anos teria chegado a aproximadamente R$ 45,5 mil, enquanto uma aplicação feita há cinco anos teria alcançado cerca de R$ 20,3 mil, segundo a Economatica.
No acumulado de agosto, no entanto, as ações do banco estatal caíram cerca de 14,7%. Na quinta-feira, 13, BBAS3 fechou com queda de 4,16%, com suas pepeis cotados a R$ 18,21. Na sexta, recuperou parte das perdas, e fechou com alta de 0,93%.
No segundo trimestre de 2026, o Banco do Brasil registrou lucro líquido ajustado de R$ 3,91 bilhões, alta de 13,9% na comparação com o primeiro trimestre e de 3,3% em relação ao mesmo período do ano anterior.
O resultado veio acompanhado, porém, de um cenário mais desafiador no crédito. A inadimplência acima de 90 dias chegou a 5,61% da carteira em junho, alta de 56 pontos-base no trimestre e de 165 pontos-base em 12 meses, pressionada principalmente pelas carteiras de pessoas físicas e produtores rurais.
Um dos pontos de atenção foi o cartão de crédito para pessoas físicas. Segundo a administração, uma modalidade de parcelamento automático de faturas contribuiu para uma deterioração maior do indicador e foi interrompida pela instituição.
“Quando começou a rodar essa nova modalidade de parcelamento automático, sem o pagamento de uma entrada, a gente percebeu que isso virou quase que como se fosse um movimento se retroalimentando”, afirmou Geovane Tobias, vice-presidente financeiro do Banco do Brasil.
Segundo o executivo, o banco antecipou provisões e passou a revisar contratos para reconhecer atrasos que ainda não estavam refletidos nos indicadores.
Apesar da pressão sobre a qualidade do crédito, a presidente do Banco do Brasil, Tarciana Medeiros, afirmou que a instituição espera uma normalização dos indicadores nos próximos períodos.
“A tendência é que a gente tenha realmente ali uma normalização dessa curva de inadimplência”, disse.
O custo do crédito, porém, continua sendo um dos principais desafios. A despesa com provisões para perdas esperadas somou R$ 18,48 bilhões no segundo trimestre, alta de 16,1% na comparação anual. No primeiro semestre, o custo do crédito chegou a R$ 37,3 bilhões, avanço de 43,3% em relação ao mesmo período de 2025.
Ao mesmo tempo, o banco manteve capacidade de geração de receitas. A margem financeira bruta alcançou R$ 27,48 bilhões no trimestre, alta de 9,6% em relação ao segundo trimestre de 2025, enquanto as receitas de prestação de serviços somaram R$ 9,12 bilhões, crescimento de 4,2% em um ano.
Para a administração, o desafio é equilibrar crescimento e controle de risco. “Vamos estar atentos para poder crescer, mas cuidando para que esse crescimento também não traga mais risco, como aconteceu, por exemplo, no segmento de cartão de crédito”, afirmou Tobias.
O Banco do Brasil não foi a única empresa brasileira a entregar retornos expressivos aos investidores em longos períodos. Dados da Economatica mostram que outras companhias tradicionais da bolsa também apresentaram forte valorização histórica, ainda considerando dados até 31 de julho de 2026.
A WEG (WEGE3) teve um dos maiores desempenhos entre as empresas analisadas. Em 20 anos, a fabricante de equipamentos industriais acumulou valorização de 4.985%, transformando um investimento de R$ 10 mil em aproximadamente R$ 508,5 mil.
A Ambev (ABEV3) apresentou retorno de 1.028% no período, levando um investimento inicial de R$ 10 mil para cerca de R$ 112,8 mil.
Já a Petrobras (PETR4) acumulou valorização de 1.005% em 20 anos, transformando R$ 10 mil em aproximadamente R$ 110,5 mil, considerando os ajustes por proventos.
A Vale (VALE3) registrou retorno de 802%, equivalente a cerca de R$ 90,2 mil para um investimento inicial de R$ 10 mil.
A Lojas Renner (LREN3) acumulou valorização de 570%, levando o investimento inicial para aproximadamente R$ 67 mil.
Os retornos históricos mostram que, apesar das oscilações do mercado no curto prazo, empresas que conseguem manter crescimento operacional, geração de caixa e distribuição de resultados podem criar valor relevante para os acionistas ao longo de ciclos mais longos.
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