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S&P 500 pode cair 15% até março com aperto do Fed

Quem espera que uma desaceleração no ritmo dos aumentos de juros vão ajudar as ações a emergirem do mercado de baixa pode se decepcionar

S&P: com perdas de 17% no ano, o índice está prestes a ter seu pior desempenho anual desde a crise financeira de 2008 (Getty/Getty Images)

S&P: com perdas de 17% no ano, o índice está prestes a ter seu pior desempenho anual desde a crise financeira de 2008 (Getty/Getty Images)

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Bloomberg

29 de novembro de 2022, 09h46

Os otimistas que já estão à vontade com a trajetória de juros do Federal Reserve precisam considerar uma outra ameaça que pode levar as ações americanas a novas mínimas, segundo o Morgan Stanley.

É o desmonte de um programa de anos para inundar a economia com dinheiro através da compra de títulos pelo Fed. Conhecido como flexibilização quantitativa (quantitative easing, ou QE, em inglês), ele agora, ao ser desfeito, é chamado de aperto quantitativo (quantitative tightening, ou QT).

Embora os aumentos de juros levem toda a culpa pelo mercado de baixa deste ano, uma análise da mesa de operações do Morgan Stanley sugere que os ajustes na carteira de títulos do Fed tiveram mais influência sobre as ações em 2022, explicando praticamente todas as viradas.

Quem espera que uma desaceleração no ritmo dos aumentos de juros vão ajudar as ações a emergirem do mercado de baixa pode se decepcionar com o impacto contínuo do QT do Fed, escreveu a equipe, com nomes que incluem Christopher Metli. Eles dizem que o S&P 500 cairá até 15% até março, com base em padrões históricos e fluxos de dinheiro projetados para os próximos meses.

“Embora o mercado esteja hiper focado no fato de o Fed diminuir o ritmo das altas — o que ainda pode puxar as ações para cima no curto prazo — o elefante na sala é o QT”, escreveram Metli e seus colegas em nota.

O fato de o Fed continuar sendo a maior influência nos mercados de ações foi demonstrado na segunda-feira, quando comentários “hawkish” de dirigentes levaram o S&P 500 a uma queda de 1,5%. Com perdas de 17% no ano, o índice está prestes a ter seu pior desempenho anual desde a crise financeira de 2008.

O QT é uma parte fundamental do sistema monetário que controla a quantidade de liquidez que afeta os preços dos ativos. Assim como as compras de títulos do Fed durante a pandemia ajudaram a inflar os preços das ações, seu recuo do mercado de títulos deve fazer o oposto, drenando dinheiro.

“O QE foi importante na alta e o QT tem sido importante na queda — mas o estrago ainda não acabou”, escreveu a equipe do Morgan Stanley.