SoftBank: principal gatilho de alta das ações foi o desempenho acima do esperado da SoftBank Corp, braço de telecomunicações do conglomerado. (Akio Kon/Bloomberg)
Repórter de Invest
Publicado em 10 de fevereiro de 2026 às 07h48.
As ações do SoftBank avançaram 10,68% nesta terça-feira, 10, para 4.705 ienes na Bolsa de Tóquio (cerca de R$ 156,70). No acumulado de 12 meses, os papéis registram alta de 98,19%.
O movimento ocorre após o conglomerado divulgar projeções mais favoráveis para o negócio de telecomunicações e reforçar o otimismo do mercado com seus investimentos em inteligência artificial (IA).
A SoftBank Corp, braço de telecom do grupo, revisou a estimativa de receita anual para 6,95 trilhões de ienes, acima da projeção anterior de 6,7 trilhões. A companhia também elevou a meta de lucro operacional para 1,02 trilhão de ienes, indicando maior geração de caixa.
Nos três primeiros trimestres de 2025, a receita da subsidiária cresceu 8% em base anual, atingindo o recorde de 5,2 trilhões de ienes.
Segundo fontes ouvidas pelo Finance 360, o desempenho reflete uma mudança estratégica, com foco maior em rentabilidade de longo prazo e menor ênfase na expansão acelerada da base de clientes.
Além do desempenho em telecomunicações, o otimismo do mercado está ligado à forte exposição do SoftBank à inteligência artificial. A participação controladora na Arm Holdings permanece como um dos principais vetores de geração de valor do grupo.
O conglomerado japonês também se consolidou como um dos maiores investidores da OpenAI, responsável pelo ChatGPT, com participação minoritária considerada relevante. Em 2025, o SoftBank investiu mais de US$ 30 bilhões na empresa.
Segundo estimativas de analistas da BTIG, o grupo pode registrar ganhos de cerca de US$ 4,45 bilhões apenas sobre a parcela de US$ 22,5 bilhões aplicada na OpenAI em dezembro.
A recente valorização das ações da Arm também foi decisiva para o avanço dos papéis do SoftBank, de acordo com especialistas ouvidos pelo Finance 360.
Já o CEO da Arm, Rene Haas, afirmou que a receita de royalties ligada a centros de dados cresceu mais de 100% na comparação anual e deve se tornar o principal negócio da companhia nos próximos anos.
Para sustentar o ritmo de investimentos em IA, o CEO Masayoshi Son tem recorrido à venda de ativos estratégicos. Essa política, porém, eleva o endividamento do grupo.
O SoftBank se desfez de US$ 5,8 bilhões em ações da Nvidia e vendeu parte de sua participação na T-Mobile por US$ 9,17 bilhões no trimestre encerrado em setembro.
No entanto, especialistas alertam que o modelo atual torna o SoftBank cada vez mais dependente da valorização de poucos ativos ligados à IA.
“A fortuna dos acionistas está agora fortemente atrelada à OpenAI”, afirmou à agência o chefe de pesquisa de semicondutores da Futurum Equities, Rolf Bulk.
Eventuais atrasos na monetização da IA ou correções nos valuations do setor podem aumentar a volatilidade dos resultados.
Mesmo com os riscos de alavancagem, o mercado segue apostando na estratégia de transformar o SoftBank em um dos principais protagonistas globais da era da IA.