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Rara aquisição de Zuckerberg: Meta compra chinesa avaliada em US$ 2 bilhões

Startup gerava US$ 125 milhões por ano; aquisição é um movimento raro de uma gigante americana sobre uma empresa com origem na China

A negociação é passo importante na ofensiva de Mark Zuckerberg para monetizar seu ecossistema de IA. (Getty Images)

A negociação é passo importante na ofensiva de Mark Zuckerberg para monetizar seu ecossistema de IA. (Getty Images)

Letícia Furlan
Letícia Furlan

Repórter de Mercados

Publicado em 30 de dezembro de 2025 às 09h24.

A Meta anunciou a compra da Manus, empresa de inteligência artificial com sede em Singapura e origem na China, avaliada em mais de US$ 2 bilhões.

A negociação marca uma rara aquisição de uma startup asiática por uma big tech dos Estados Unidos — e reforça a ofensiva de Mark Zuckerberg para monetizar seu ecossistema de IA.

A operação inclui a equipe de 100 pessoas e os fundadores da Manus, cuja controladora, a Butterfly Effect, nasceu na China antes de se mudar para Singapura. Todos os investidores anteriores foram retirados do negócio.

O Wall Street Journal, que noticiou anteriormente o valor do negócio, afirmou que o cofundador e CEO da Manus, Xiao Hong, se reportará a Javier Olivan, diretor de operações da Meta.

Não haverá mais participação acionária chinesa na Manus após a transação, segundo um porta-voz da Meta à Bloomberg. A Manus também deixará de operar na China continental.

Ofensiva da Meta

A Meta informou que pretende manter o produto da Manus — um agente de IA vendido por assinatura para empresas — ativo e integrado aos seus serviços, incluindo o Meta AI, já disponível no Facebook, Instagram, WhatsApp e nos óculos de realidade aumentada da companhia.

A Manus gerava uma receita de US$ 125 milhões anuais com seu agente virtual, capaz de realizar tarefas como leitura de currículos, organização de viagens e análise de ações. A tecnologia, mais próxima de um assistente que executa ordens do que de um chatbot conversacional, é vista como promissora para aplicações corporativas.

A Bloomberg Intelligence avalia que o movimento busca suprir uma lacuna do portfólio da Meta, que ainda carece de um ecossistema de produtos e APIs baseados em seu modelo proprietário de IA, diferentemente de rivais como OpenAI, Google e Anthropic.

Zuckerberg vem prometendo investir até US$ 600 bilhões em infraestrutura de IA nos próximos três anos, parte disso em centros de dados e novos modelos fundacionais. O investimento já causa ceticismo em alguns acionistas, que veem retorno financeiro ainda distante.

Segundo publicação da Bloomberg, a aquisição da Manus pode funcionar como um atalho. Com receita já gerada por produto pronto e validado, a Meta avança na conversão de pesquisa em aplicação comercial. O acordo também dá acesso direto a uma equipe de engenharia que havia sido avaliada em US$ 500 milhões em rodada anterior, liderada pela americana Benchmark Capital.

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