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Prata bate novo recorde e ouro sobe 3% com tensões na Venezuela

O cobre também se aproxima de nova máxima histórica nas primeiras negociações após a prisão de Nicolás Maduro

Metais como investimento: porto seguro em meio a tensões geopolíticas (Ravitaliy/Getty Images)

Metais como investimento: porto seguro em meio a tensões geopolíticas (Ravitaliy/Getty Images)

Da Redação
Da Redação

Redação Exame

Publicado em 5 de janeiro de 2026 às 08h13.

Os preços dos metais preciosos e industriais avançam com força nos primeiros negócios após a prisão do presidente venezuelano Nicolás Maduro por forças dos Estados Unidos, durante intervenção americana no país sul-americano.

A escalada geopolítica eleva a busca por ativos considerados proteção em momentos de incerteza, como ouro e prata, e também reforça apostas em metais ligados à transição energética e à segurança de suprimentos, caso do cobre.

Analistas ouvidos por CNBC e Bloomberg apontam que o episódio aumentou a aversão ao risco no curto prazo e reacendeu debates sobre o papel estratégico de recursos naturais em um cenário de tensões internacionais.

Ouro: refúgio clássico em tempos de crise

O ouro voltou a ganhar tração como ativo de proteção diante do aumento da instabilidade política. Por volta das 7h45 (horário de Brasília), o metal subia 2,7%, aos US$ 4.447 por onça, alcançando o maior nível em uma semana. Para Tim Waterer, analista-chefe de mercado da KCM Trade, citado pela CNBC, os eventos na Venezuela “reacenderam a demanda por ativos de proteção”, com o ouro entre os principais beneficiados.

Christopher Wong, analista do Oversea-Chinese Banking Corp., disse à Bloomberg que, embora o risco imediato possa ser limitado, a captura de Maduro elevou a percepção de instabilidade regional.

O movimento ocorre após um ano histórico para o metal: em 2025, o ouro acumulou alta de 64%, seu melhor desempenho anual desde 1979, impulsionado por compras de bancos centrais, entrada de recursos em ETFs e cortes de juros pelo Federal Reserve.

Bancos como o Goldman Sachs projetam novas máximas para o ouro, com preço-alvo de até US$ 4.900 por onça.

Prata: proteção e demanda industrial

A prata avança ainda mais que o ouro e bate recorde nesta manhã. Por volta das 7h45, o preço do metal subia cerca de 7%, chegando aos US$ 76. Dá sequência, assim, à valorização inédita de 147% registrada no ano de 2025.

Assim como o ouro, a prata se beneficia do aumento da aversão ao risco, mas também de fatores estruturais.

Além do ambiente de juros mais baixos e da busca por proteção, a prata ganhou impulso com preocupações sobre possíveis tarifas de importação nos Estados Unidos e com sua designação como mineral crítico, o que ampliou o interesse estratégico pelo metal.

Esse duplo papel — ativo defensivo e insumo industrial — ajuda a explicar por que a prata reage de forma ainda mais intensa em momentos de tensão geopolítica.

Cobre: oferta apertada e risco geopolítico

No mercado de metais industriais, o cobre também registra forte alta sob o "efeito Maduro". Os contratos de referência em Londres subiram cerca de 3%, aproximando-se do recorde histórico próximo de US$ 13 mil por tonelada.

Embora o movimento seja sustentado principalmente por fundamentos de oferta e demanda — como greves em minas chilenas e o temor de tarifas americanas —, o noticiário envolvendo a Venezuela entrou no radar dos investidores.

O cobre é visto como metal estratégico para a transição energética e para a segurança econômica, o que o torna sensível a mudanças na política externa dos EUA. Em relatório citado pela Bloomberg, analistas da China Securities, liderados por Wang Jiechao, afirmaram que “déficits de oferta, somados a distorções regionais causadas por tarifas dos EUA, estão impulsionando o cobre”, projetando um déficit global superior a 100 mil toneladas em 2026.

Por que os metais sobem?

Em momentos de crise geopolítica, investidores tendem a buscar proteção em ativos considerados mais seguros ou estratégicos. Ouro e prata se beneficiam diretamente desse movimento por serem vistos como reserva de valor, especialmente em ambientes de juros baixos, quando ativos que não pagam rendimento se tornam relativamente mais atraentes.

Já o cobre reage tanto à percepção de risco quanto à importância crescente de recursos naturais para a segurança energética e industrial.

A prisão de Maduro e a intervenção americana, ao elevarem a incerteza sobre a governança e o controle de recursos na Venezuela, reforçaram essa dinâmica — e colocaram os metais novamente no centro das atenções dos mercados globais.

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