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Por que a Intel despencou 13% no after hours

Companhia frustra mercado com previsão de lucro zero no 1º trimestre de 2026 e limitações de oferta

Intel: empresa despencou no after hours (Justin Sullivan / Equipe/Getty Images)

Intel: empresa despencou no after hours (Justin Sullivan / Equipe/Getty Images)

Publicado em 23 de janeiro de 2026 às 04h58.

O ano de 2026 começou azedo para a Intel (INTC). Na divulgação dos resultados do quarto trimestre de 2025, que aconteceu na quinta-feira, 22, a companhia surpreendeu positivamente com lucro e receita acima das expectativas, mas frustrou o mercado ao apresentar projeções fracas para o primeiro trimestre de 2026, o que provocou uma queda de quase de 13% em seus papéis nas negociações após o fechamento.

A fabricante reportou lucro ajustado de US$ 0,15 por ação, superando os US$ 0,08 esperados por analistas, com uma receita de US$ 13,7 bilhões, acima da previsão de US$ 13,4 bilhões.

O desempenho, no entanto, foi ofuscado pela previsão de receita entre US$ 11,7 bilhões e US$ 12,7 bilhões para o início de 2026 — intervalo cujo ponto médio, US$ 12,2 bilhões, fica abaixo da expectativa de Wall Street de US$ 12,51 bilhões. A previsão de lucro zero para o trimestre também ficou aquém do esperado.

Demanda firme, mas sem capacidade para entregar

A decepção veio de um descompasso entre demanda e oferta. Mesmo com sinais de recuperação nos negócios, em especial na área de Data Center e IA, que cresceu 9% no ano, totalizando US$ 4,7 bilhões em receita, a empresa enfrenta restrições de fornecimento.

“Estamos rodando as fábricas no limite, mas ainda não conseguimos acompanhar o ritmo da demanda”, disse o CFO David Zinsner, que prevê melhora no fornecimento apenas a partir do segundo trimestre.

Já o CEO Lip-Bu Tan afirmou estar "desapontado por não conseguirmos atender plenamente à demanda no curto prazo.”

O problema afeta justamente os chips para servidores que acompanham processadores de IA — segmento no qual a Intel tenta recuperar espaço frente a rivais como a Nvidia.

Margens em queda com nova geração de chips

Outro ponto sensível é a pressão sobre as margens, causada pela adoção do processo de fabricação 18A, tecnologia avançada com produção ainda ineficiente, segundo a Reuters.

Os chips da linha Panther Lake, os primeiros fabricados com o novo processo, já estão sendo entregues, mas os rendimentos por wafer ainda são baixos.

A margem bruta ajustada caiu para 37,9%, frente a 42,1% no mesmo período do ano anterior. Embora tenha superado a estimativa de 36,5%, a tendência ainda preocupa analistas, que veem uma recuperação lenta.

Mercado pune incerteza

As ações da Intel recuaram após uma sequência de forte valorização — o papel acumulou alta de 84% em 2025, após perder mais de 60% em 2024.

A correção recente reflete a frustração com os gargalos operacionais e com a perspectiva de baixo crescimento no curto prazo, mesmo diante de um cenário de forte demanda por chips.

Apesar disso, a empresa conta com apoio financeiro robusto, como os investimentos de US$ 5 bilhões da Nvidia e US$ 2 bilhões do SoftBank, além de capital do governo dos EUA. A estratégia atual de Tan é focar em entregar produtos competitivos com menor estrutura de custos, reduzindo a dependência de contratos de fabricação com terceiros.

Capex sob análise e concorrência acirrada

A expectativa de capital investido segue estável, segundo a empresa. Dois potenciais clientes estão avaliando o processo 14A, passo preliminar para adoção em larga escala. A decisão sobre contratos deve ocorrer na segunda metade de 2026.

A Intel ainda enfrenta concorrência direta da AMD e da Arm no segmento de PCs. Além disso, o mercado de computadores sofre com a alta nos preços de chips de memória, encarecendo os produtos e limitando o consumo.

Para investidores, o alerta está lançado: a história de retomada da Intel permanece viva, mas restrita pela sua própria capacidade de entrega.

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