Carros à venda, em Miami, nos EUA (Joe Raedle/AFP)
Repórter
Publicado em 6 de janeiro de 2026 às 05h48.
A General Motors (GM) e diversas montadoras tiveram queda nas vendas nos EUA no último trimestre de 2025, um sinal preocupante de que o mercado de automóveis no país deve desacelerar em 2026 à medida que os consumidores reagem aos preços mais altos.
A GM, a maior montadora dos EUA em vendas e uma espécie de indicador para a indústria americana, informou nesta segunda-feira que as vendas caíram 7% no último trimestre de 2025. Honda, Hyundai e Mazda também disseram que suas vendas nos EUA caíram no final do ano.
Segundo informações do The Wall Street Journal, a desaceleração deve se estender para este ano. Analistas e montadoras preveem que as vendas anuais nos EUA cairão em 2026 após três anos consecutivos de crescimento. Consumidores estão cada vez mais preocupados com o orçamento doméstico - o tarifaço do governo Trump também deve ser absorvido pelas empresas e repassado ao consumidor.
A Toyota, que registrou um aumento de 8% nas vendas nos EUA durante o quarto trimestre, afirmou estar se preparando para um "ano difícil". A montadora conseguiu manter o ritmo de vendas no final do ano passado absorvendo os custos das tarifas americanas e porque os compradores de carros se voltaram para os modelos de entrada da empresa, como o sedã Corolla. No entanto, os executivos disseram que as empresas não poderão continuar arcando com os custos das tarifas.
"Os preços vão subir para nós e para nossos concorrentes", disse David Christ, chefe de vendas da Toyota nos EUA, em uma teleconferência com jornalistas.
As vendas de automóveis nos EUA no ano passado desafiaram os piores cenários da indústria, desencadeados pelos planos iniciais de tarifas do governo Trump.
Em vez disso, o governo flexibilizou as tarifas e os consumidores correram para comprar veículos elétricos antes do fim dos créditos fiscais federais em setembro.
No geral, as vendas de automóveis nos EUA aumentaram cerca de 2% em relação a 2024, chegando a aproximadamente 16,3 milhões de unidades, de acordo com a consultoria J.D. Power.
A Tesla deixou de ser a maior fabricante de veículos elétricos do mundo em 2025 ao reportar sua segunda queda consecutiva nas entregas. A chinesa BYD assumiu a liderança global do setor.
A companhia americana entregou 1,64 milhão de veículos no ano passado, uma retração de quase 9% frente a 2024. A BYD, por sua vez, somou 2,26 milhões de unidades puramente elétricas, crescimento que a posiciona como a nova líder global no segmento. Também considerando híbridos, a chinesa entregou 4,6 milhões de veículos no ano passado.
No quarto trimestre, a Tesla registrou 418.227 veículos vendidos, abaixo da expectativa de analistas. O resultado foi pressionado pelo fim do crédito tributário de US$ 7.500, encerrado pelo governo de Donald Trump em setembro. Junto com os resultados, Musk destacou avanços em seu esforço para lançar um negócio de robotáxis.