General Motors: companhia anunciou uma baixa contábil de US$ 6 bilhões para desmobilizar parte de sua operação de veículos elétricos (foto/Getty Images)
Repórter de Mercados
Publicado em 9 de janeiro de 2026 às 08h15.
A General Motors anunciou uma baixa contábil de US$ 6 bilhões para desmobilizar parte de sua operação de veículos elétricos (EVs). O movimento inclui cancelamento de contratos e revisão de produção, diante da desaceleração nas vendas no mercado americano, principal foco da montadora.
A decisão ocorre após o fim de um subsídio de US$ 7.500 para carros elétricos, encerrado em 30 de setembro de 2025, e reflete o impacto de políticas da gestão Donald Trump, que tem pressionado o setor automotivo a recuar da eletrificação.
A maior parte do encargo — US$ 4,2 bilhões em caixa — está ligada à rescisão de acordos com fornecedores, que haviam se preparado para volumes muito superiores aos que se concretizaram. A GM afirma que a medida não afetará a linha atual de cerca de 12 modelos elétricos vendidos nos EUA.
A decisão da GM segue um movimento iniciado por outras montadoras. A Ford, em dezembro, informou que registraria baixa contábil de US$ 19,5 bilhões ao longo de vários trimestres, após cancelar projetos de eletrificação.
Nos dois casos, o corte foi motivado pela combinação de custos elevados e retração da demanda. A GM viu as vendas de elétricos despencarem 43% no quarto trimestre, logo após o fim do incentivo fiscal. O desempenho havia sido recorde nos três meses anteriores, quando consumidores anteciparam compras para aproveitar o crédito.
O recuo da GM ocorre em meio a uma transição global no mercado de veículos elétricos, marcada pela ascensão da chinesa BYD e pela retração de montadoras ocidentais como Tesla e a própria GM.
Em 2025, a BYD vendeu 2,26 milhões de veículos elétricos, alta de 28%, superando a Tesla, que entregou 1,6 milhão de unidades — queda de 8,6%. Com isso, a Tesla perdeu a liderança global em EVs para a concorrente chinesa, encerrando o ano com sua segunda retração consecutiva nas entregas.
O sucesso da BYD está ancorado em uma estratégia de vertical integration, preços mais baixos, foco em híbridos plug-in — além dos modelos 100% elétricos (BEVs) — e exportações crescentes para Europa e América Latina. A montadora alcançou 12,1% de participação no mercado global de elétricos puros.
Enquanto isso, a Tesla entregou 418.227 veículos no quarto trimestre, abaixo das projeções de analistas. O resultado também foi afetado pelo fim do incentivo fiscal. As políticas protecionistas americanas aceleraram o freio nas operações de elétricos[/grifar], enquanto o domínio chinês intensificou as projeções mais modestas para a adoção dos EVs nos EUA.
Além da perda de escala, a Tesla também enfrenta um cenário de expectativas revistas. Em 2024, analistas estimavam que a companhia entregaria mais de 3 milhões de veículos em 2026; agora, a média projetada caiu para cerca de 1,8 milhão. A chinesa, por sua vez, entregou 4,6 milhões de veículos no total no ano passado, incluindo híbridos.
No caso da Tesla, a aposta mais recente é o projeto de robotáxis. A empresa iniciou testes sem motorista no fim de 2025, mas o serviço segue restrito a poucas unidades com supervisores humanos nas regiões de Austin e São Francisco, nos EUA.