Nubank: bancos globais iniciam cobertura e apontam upside de até 70%

Morgan Stanley, Goldman Sachs e UBS iniciaram a cobertura dos papéis do banco digital com recomendação de compra
Estátua da "Menina sem medo" (Fearless Girl, em inglês), que representa a diversidade no mercado, em frente à Bolsa de Nova York no dia da estreia das ações do Nubank | Foto: Nubank/Divulgação (Divulgação/Nubank)
Estátua da "Menina sem medo" (Fearless Girl, em inglês), que representa a diversidade no mercado, em frente à Bolsa de Nova York no dia da estreia das ações do Nubank | Foto: Nubank/Divulgação (Divulgação/Nubank)
Por Beatriz QuesadaPublicado em 03/01/2022 15:02 | Última atualização em 03/01/2022 18:53Tempo de Leitura: 4 min de leitura

As ações do banco digital brasileiro Nubank, listadas na Bolsa de Nova York sob o código NU, saltaram 6,4% nesta segunda-feira, dia 3 de janeiro, no primeiro pregão do ano, depois que grandes bancos internacionais começaram a cobertura e divulgaram as primeiras análises de perspectivas para o papel – todas positivas. Os BDRs da fintech negociados no Brasil (NUBR33) também fecharam em alta, subindo 6,16%.

A perspectiva mais otimista é a do banco americano Morgan Stanley, que projeta as ações sendo negociadas a 16 dólares. O preço representa um potencial de valorização (upside) de 70% em comparação ao valor de fechamento do último pregão de 2021, de 9,38 dólares na sexta-feira, dia 31. O preço de estreia no IPO foi de 9,00 dólares.

Em relatório, o banco admite que o valuation da empresa é alto, o que deixa as ações do Nubank negociando com um prêmio se comparadas a outros pares da América Latina. Ainda assim, os analistas defendem que o valor de mercado da empresa opera quase que em linha com outras fintechs globais.

A expectativa é que o Nubank deve atingir o break even – ou seja, que deixe de ter prejuízo – ainda neste ano, tornando-se um dos bancos mais lucrativos da América Latina até 2026. “O crescimento da fintech deve ultrapassar em muito os pares globais. Defendemos, portanto, uma avaliação premium”, escrevem analistas liderados por Jorge Kuri.

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A projeção positiva é compartilhada pelo Goldman Sachs, que vê o Nubank bem posicionado para penetrar no sistema bancário “altamente lucrativo” da América Latina, destacando-se como a maior plataforma de banco digital fora da Ásia, com 48 milhões de clientes. O preço-alvo do Goldman para as ações é de 15 dólares, um upside de quase 60%.

“À medida que a empresa aumenta sua carteira de empréstimos em produtos de alto retorno, como cartões de crédito e empréstimos pessoais, ela se posiciona para aumentar a lucratividade de forma significativa a partir de 2023 e prevemos que atinja um ROE [retorno sobre o patrimônio] de 39% até 2025”, escrevem os analistas sob liderança de Michael Ng.

Já o banco suíço UBS, em parceria com o BB, projeta os papéis do Nubank a 12 dólares – um upside de 33% em relação ao fechamento do último pregão. A recomendação é de compra, mas o banco ressalta que existem riscos tanto de execução do plano de expansão quanto no campo regulatório.

“O Nubank não possui licença bancária no Brasil e o Banco Central deve se tornar mais rígido em termos de requisitos de capital para grandes fintechs. Como a empresa não é licenciada como um banco, a densidade de ativos ponderados pelo risco (RWA) é muito menor do que a dos outros participantes. Acreditamos que os reguladores irão se mover para fechar essa diferença ao longo do tempo”, diz o relatório.

Os analistas, no entanto, reforçam a recomendação de compra para os papéis. Na visão do UBS, a combinação entre um maior crescimento na base de clientes e a expansão da chamada ARPAC (receita média mensal por cliente ativo) justifica o preço das ações. 

“Reconhecemos que há uma longa estrada à frente antes que o banco se torne lucrativo. No entanto, vemos sua grande base de clientes, core banking proprietário e cultura orientada para o cliente como vantagens competitivas no setor bancário latino-americano”, dizem os analistas.