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Modo ´stand-by` da Petrobras emperra mercado

Incertezas e confusão com detalhes da capitalização dificultam a análise das ações

EXAME.com (EXAME.com)

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Da Redação

Publicado em 25 de junho de 2010 às 17h52.

São Paulo - No Brasil, o desempenho das grandes empresas como a Petrobras é determinante para a bolsa. E é esse um dos principais motivos que tem emperrado o desempenho do Ibovespa - principal índice da BM&F Bovespa - em 2010. Com participação de 13% no índice, a queda de 20% das ações da estatal no ano impede a recuperação da bolsa, que já recuou 7% no ano.

Os papéis da Petrobras têm sido influenciados, desde o início do ano, por uma avalanche de notícias desencontradas a respeito do processo de capitalização da estatal. A estimativa é de que a empresa poderia captar entre 50 e 80 bilhões de dólares. Parte desse valor viria de uma nova emissão de ações de aproximadamente 25 bilhões de dólares. A oferta era esperada para acontecer em julho, agora deve acontecer apenas em setembro.

"Tem uma incerteza gigante no papel e uma pressão para fazer a oferta de qualquer forma, mesmo em um mercado com aversão ao risco por conta dos problemas na Europa", analisa José Góes, consultor econômico da Win Trade. A operação está atrelada à um acordo de compra de direitos de exploração de até 5 bilhões de barris do governo com ações. Depois da aprovação da oferta em Assembleia, agora a oferta depende da definição do valor de cada barril na chamada "cessão onerosa".

Para encontrar um preço, a Petrobras contratou a consultoria DeGolyer & MacNaughton. Entretanto, na lei da capitalização aprovada em 10 de junho, exige-se um segundo laudo independente, esse feito pela Agência Nacional do Petróleo (ANP). Para isso, a agência contratou a Gaffney, Cline & Associates. A estimativa é de que a empresa conclua o trabalho até o final de agosto.

"O início da oferta pública de ações sem o aval do laudo da ANP tinha deixado o mercado em dúvida, mas a Petrobras em seus comunicados indicou que poderia fazê-lo até julho", destacam os analistas da Socopa Corretora Osmar Cesar Camilo e  Marcelo Alves Varejão, em relatório. "Aparentemente, houve um erro na condução do cronograma do processo ou na interpretação da lei aprovada no dia 10, uma vez que era sabido que a ANP não entregaria a tempo seu laudo", dizem.

"Ficamos surpresos ao escutar que a administração não tem certeza sobre o timing do aumento de capital", escreveu o analista Marcus Siqueira, do Deustsche Bank, também em nota. Mas há analistas que enxergaram o lado bom. "Acreditamos que o processo, na verdade, se beneficia de um aumento na transparência", afirmam os analistas do JP Morgan Sérgio Torres e Felipe dos Santos, em relatório. "Os investidores terão duas avaliações, como o prometido", dizem. Ir em frente com apenas uma opinião poderia passar uma imagem de que a Petrobras estaria impondo algo aos acionistas, destacam.

"Mantemos nossa opinião de que a capitalização é um dos problemas mais relevantes para o desempenho da ação no curto prazo. A expectativa do mercado refere-se ao preço a ser pago na cessão de direitos", indicam Marcos Pereira e João Arruda, analistas da Votorantim Corretora. Por isso, o futuro do Ibovespa e das ações da estatal parece estar mais nas mãos dos analistas da Gaffney, Cline & Associates, do que na dos investidores.

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