Mercado Livre: Percepção de analistas é de um ambiente competitivo mais racional para a empresa (Montagem com elementos Canva e Mercado Livre /Reprodução)
Repórter de Mercados
Publicado em 12 de fevereiro de 2026 às 16h12.
O JP Morgan elevou a recomendação das ações do Mercado Livre de neutra para compra, e passou a tratar a companhia como sua principal escolha no setor de tecnologia da América Latina. O novo preço-alvo para dezembro de 2026 subiu de US$ 2.650 para US$ 2.800. A estimativa embute um potencial de valorização de 39% em relação aos níveis atuais.
A mudança não veio por surpresa nos números do trimestre, mas por uma leitura mais ampla do cenário competitivo e das expectativas do mercado para os próximos dois anos.
No relatório, analistas afirmam que a percepção é de um ambiente competitivo mais racional. Segundo o banco, a Shopee elevou suas take rates — a taxa que cobra dos vendedores — para patamares mais próximos aos praticados pelo Mercado Livre. Na prática, isso reduz a pressão por subsídios e guerra de preços.
Ao mesmo tempo, o Mercado Livre conseguiu repassar a inflação em suas taxas fixas, indicando conforto com a dinâmica atual.
A Amazon continua no radar, mas é tratada como um competidor de menor escala na região. O risco não desapareceu, mas deixou de ser o principal fator de preocupação no curto prazo.
Outro ponto central da tese é que o mercado já fez boa parte do ajuste negativo nas projeções.
Desde meados de 2025, as estimativas de consenso para o Ebit e o lucro por ação de 2026 e 2027 caíram entre 13% e 15%. O movimento reduziu o risco de revisões negativas adicionais.
Com isso, as projeções do JP Morgan agora estão alinhadas ao consenso — algo que não ocorria anteriormente. Na prática, o banco deixou de carregar números mais conservadores do que o mercado. A assimetria, que antes era vista como negativa, passou a jogar a favor.
O relatório projeta que o crescimento do volume bruto de mercadorias no país tenha superado 30% no quarto trimestre de 2025. Dados internos acompanhados pelo banco, como usuários ativos diários e sessões no aplicativo, apontam aceleração.
A leitura contraria parte dos dados alternativos mais pessimistas que circularam ao longo do segundo semestre do ano passado.
Se confirmada, a performance reforça a tese de ganho de participação e maior eficiência operacional no maior mercado da companhia.
Para 2026, o JP Morgan projeta crescimento de 35% na receita, alta de 34% no Ebit e avanço de 41% no lucro líquido.
A revisão considera moedas locais mais fortes — especialmente real e peso mexicano —, recuperação mais rápida das margens no Brasil e expansão mais acelerada da carteira de crédito do braço financeiro.
O crédito é, ao mesmo tempo, oportunidade e risco. Em ciclos mais restritivos, a inadimplência pode pressionar a rentabilidade do Mercado Pago. Além disso, o banco cita como riscos adicionais a possibilidade de nova intensificação da concorrência com Amazon e Shopee e um crescimento de publicidade abaixo do esperado.
Depois de um ano de revisões para baixo e cautela com margens, o banco aposta que 2026 pode marcar uma nova fase para a companhia fundada por Marcos Galperin — menos ruído competitivo, expectativas mais ajustadas e crescimento ainda acima de 30% em seu principal mercado.