Invest

'Miramos 15% de retorno em 2026', diz CFO do Banco do Brasil sobre rentabilidade

No 4° trimestre de 2025, o ROE do Banco do Brasil foi de 12,4%, acima dos 8,4% registrados no trimestre anterior, mas bem abaixo dos 20,8% em 2024

ROE de bancos: é um dos principais indicadores acompanhados pelo mercado por medir quanto o banco consegue gerar de retorno para cada real investido em seu patrimônio (Paulo Whitaker/Reuters)

ROE de bancos: é um dos principais indicadores acompanhados pelo mercado por medir quanto o banco consegue gerar de retorno para cada real investido em seu patrimônio (Paulo Whitaker/Reuters)

Publicado em 12 de fevereiro de 2026 às 13h30.

O Banco do Brasil projeta um 2026 ainda desafiador, mas com melhora gradual nos indicadores de rentabilidade. Após encerrar 2025 sob forte pressão do agronegócio, a instituição mira elevar o retorno sobre o patrimônio líquido (ROE) para a faixa dos 15% no próximo ano, patamar que o CFO da instituição, Giovanne Tobias, chama de "ponto médio", ou seja, algo entre 14% e 16%.

O ROE é um dos principais indicadores acompanhados pelo mercado por medir quanto o banco consegue gerar de retorno para cada real investido em seu patrimônio. Na prática, ele reflete a eficiência e a rentabilidade da instituição.

Uma queda no indicador costuma estar associadas a deteriorações no balanço, como recuo em linhas de receita, aumento da inadimplência e maior custo de capital próprio e de terceiros.

No quarto trimestre de 2025, o ROE do Banco do Brasil foi de 12,4%, acima dos 8,4% registrados no trimestre anterior, mas bem abaixo dos 20,8% apurados um ano antes.

Ainda assim, a rentabilidade do BB permanece inferior à de seus principais concorrentes: no mesmo período, o Itaú entregou ROE de 24,4%, o BTG Pactual (do mesmo grupo controlador da EXAME) de 27,6%, enquanto Santander e Bradesco registraram 17,6% e 15,2%, respectivamente.

Segundo Tobias, o banco já sabia que seria "impossível" sustentar níveis acima de 20% diante do cenário adverso, especialmente no agro. Por isso, a instituição passou a trabalhar com a meta de "low teens" — faixa entre 10% e 13% — o que, segundo ele, está dentro do que está sendo entregue. Para 2026, a expectativa é avançar para um novo patamar.

"A gente acredita que, olhando para 2026, vai estar caminhando no famoso middle teens. Ou seja, naquela região dos 15%, pode ser 14%, pode ser 16%", disse o CFO.

"Vai depender muito também no estancamento das recuperações judiciais que têm prejudicado o setor agro como um todo, não apenas as instituições financeiras, mas até mesmo fornecedores e a economia local desses clientes que estão optando vias judiciais ao invés de negociar", complementou.

'Mercado abraçou nosso crescimento'

A CEO do Banco do Brasil, Tarciana Medeiros, reforçou que a administração tem buscado manter disciplina na execução da estratégia e transparência com o mercado. O guidance para 2026 prevê lucro líquido entre R$ 22 bilhões e R$ 26 bilhões.

Segundo ela, diferentemente da percepção inicial de alguns analistas, o mercado "abraçou" a perspectiva de crescimento apresentada pelo banco, entendendo-a como responsável e alinhada ao histórico recente de comunicação da instituição. Por volta das 13h10, as ações ordinárias da instituição, BBAS3, subiam 3,25% após a divulgação do balanço.

Tarciana ponderou que a análise do desempenho deve ser feita com visão anual, e não apenas trimestral, já que há sazonalidades relacionadas ao desembolso de crédito e ao ambiente macroeconômico. A executiva admitiu que o primeiro trimestre de 2026 será mais apertado, mas reiterou o compromisso de crescer em relação a 2025.

"2025 foi um ano desafiador que apresentou uma redução de resultado em relação ao ano anterior, que foi o maior resultado da história do Banco do Brasil. Então, no ano em que nós tivemos um comportamento atípico em relação ao agro, a inadimplência do agro em 2025, ela cresceu em torno de 500% em relação à série histórica que a gente vinha observando para o agro", afirmou a CEO.

Inadimplência do agro cairá no 2° tri, diz o BB

A expectativa agora é de melhora gradual. De acordo com o banco, o primeiro trimestre ainda refletirá operações contratadas sob a metodologia anterior de concessão de crédito, antes das mudanças implementadas a partir do Plano Safra 2025/2026, que passaram a exigir mais garantias e ajustes na matriz de risco.

A partir do segundo trimestre, com o vencimento de operações já enquadradas na nova metodologia, a inadimplência do agronegócio deve começar a se acomodar, com queda mais expressiva no segundo semestre.

"A expectativa é que com a nova metodologia, com a nova forma de concessão, a nossa matriz de referência, a gente já comece a ver o resultado já a partir do segundo trimestre, mas ainda nós vamos ver uma inadimplência um pouco elevada agora no primeiro trimestre", disse Gilson Bittencourt, vice-presidente de Agronegócios e Agricultura Familiar.

Acompanhe tudo sobre:BB – Banco do BrasilBalançosBancos

Mais de Invest

Morgan Stanley também limita resgates em fundo de crédito privado

Por que os 'short sellers' podem voltar ao radar de Wall Street

Irã já exporta mais petróleo do que antes da guerra: entenda

Mercado indiano cai e rúpia vai a mínima histórica com petróleo em alta