As ações da Microsoft caem: reflexo da leve desaceleração do crescimento da nuvem quanto o aumento recorde dos gastos em infraestrutura (Jean-Luc Ichard/Getty Images)
Redação Exame
Publicado em 28 de janeiro de 2026 às 19h23.
A Microsoft apresentou um balanço robusto de quarto trimestre de 2025 nesta quarta-feira, 28, com lucro e receita acima das expectativas do mercado. Mas não conseguiu dissipar as preocupações dos investidores em relação ao ritmo acelerado de investimentos em inteligência artificial.
As ações da companhia caíam mais de 5% no after market, refletindo tanto a leve desaceleração do crescimento da nuvem quanto o aumento recorde dos gastos em infraestrutura.
No trimestre fiscal encerrado em 31 de dezembro, a gigante do software registrou lucro ajustado de US$ 4,14 por ação, acima da projeção de US$ 3,97, segundo consenso da plataforma LSEG. A receita somou US$ 81,27 bilhões, superando a estimativa de US$ 80,27 bilhões e representando um crescimento anual de 17%.
O lucro líquido alcançou US$ 38,46 bilhões, ou US$ 5,16 por ação, um salto expressivo em relação aos US$ 24,11 bilhões, ou US$ 3,23 por ação, registrados no mesmo período do ano anterior.
Parte desse desempenho foi impulsionada pelos ganhos com o investimento na OpenAI, que adicionaram US$ 1,02 ao lucro por ação. Nos números ajustados, a Microsoft exclui o impacto direto desses investimentos.
Apesar dos resultados positivos, o mercado reagiu com cautela à performance da divisão de nuvem. A receita do Azure e de outros serviços em nuvem cresceu 39%, levemente abaixo dos 40% registrados no trimestre anterior e em linha com as projeções dos analistas.
Ainda assim, o segmento de Nuvem Inteligente, que inclui o Azure, gerou US$ 32,91 bilhões em receita — alta de quase 29% e acima do consenso de US$ 32,40 bilhões.
A divisão de Produtividade e Processos de Negócios, que engloba Office, Dynamics e LinkedIn, também teve desempenho sólido, com receita de US$ 34,12 bilhões, avanço de cerca de 16% na comparação anual.
Já o segmento de Computação Mais Pessoal, que inclui Windows, Xbox, Surface e Bing, somou US$ 14,25 bilhões, queda de aproximadamente 3% e abaixo das expectativas do mercado, mesmo com sinais de recuperação nas vendas globais de PCs.
O principal ponto de atenção do balanço foi o nível de investimentos. Os gastos de capital e arrendamentos financeiros totalizaram US$ 37,5 bilhões no trimestre, um aumento de 66% em relação ao ano anterior e acima das previsões dos analistas.
A Microsoft vem ampliando agressivamente sua capacidade de data centers, com foco em chips especializados para modelos generativos de IA, além de contratos de longo prazo com fornecedores como CoreWeave e Nebius.
Esses investimentos também se refletem no forte crescimento das reservas comerciais. A obrigação de desempenho comercial remanescente — métrica que indica receitas contratadas ainda não reconhecidas — atingiu US$ 625 bilhões ao fim do ano, alta de cerca de 110%.
Desse total, 45% estão vinculados à OpenAI, que assumiu um compromisso de US$ 250 bilhões com a Microsoft durante o trimestre, após sua reestruturação em uma empresa de benefício público.
Ainda assim, investidores questionam o prazo de retorno desses aportes bilionários. Nos últimos três meses, as ações da Microsoft acumulam queda de cerca de 11%, enquanto o S&P 500 avançou 1%.
A leitura do mercado é que o avanço da IA generativa pode pressionar margens no curto prazo e até desafiar o crescimento do software tradicional, principal motor histórico da companhia.
Além disso, a Microsoft reconhece dificuldades para colocar rapidamente nova capacidade de computação online, em um momento de demanda crescente por serviços de IA. A empresa também anunciou aumentos nos preços das assinaturas comerciais do Office, movimento visto como uma tentativa de compensar parte dos custos crescentes.
Os executivos da companhia detalham os resultados e fornecem projeções para os próximos trimestres em teleconferência com analistas, marcada para as 17h30 (horário do leste dos EUA).
(*) Com informações da CNBC e do Bloomberg