Fed: é o primeiro Livro Bege divulgado em 2026 (Smith Collection/Gado/Getty Images)
Repórter de finanças
Publicado em 14 de janeiro de 2026 às 16h23.
O Livro Bege do Federal Reserve (Fed, banco central dos Estados Unidos) apontou uma leve melhora no ritmo da atividade econômica nos Estados Unidos.
Segundo o relatório, a economia cresceu em ritmo leve a moderado em oito dos doze distritos, enquanto três distritos não registraram mudanças e um apresentou leve retração.
O diagnóstico representa um avanço em relação aos três ciclos anteriores do relatório, quando a maioria das regiões indicava pouca ou nenhuma variação na atividade.
Do lado do consumo, a maioria dos distritos relatou crescimento leve a moderado nos gastos das famílias, impulsionado principalmente pelas compras de fim de ano.
O Fed destacou, no entanto, uma clara diferença de comportamento entre faixas de renda. Em vários distritos, os gastos mais fortes vieram dos consumidores de renda mais alta, com aumento nas despesas com bens de luxo, viagens, turismo e atividades voltadas a experiências.
Em contraste, consumidores de baixa e média renda mostraram-se cada vez mais sensíveis aos preços. De acordo com o relatório, esse grupo demonstrou maior cautela e relutância em gastar com bens e serviços não essenciais.
O Livro Bege também trouxe um quadro heterogêneo para setores específicos da economia. As vendas de automóveis permaneceram estáveis ou registraram queda na maioria dos distritos, enquanto a atividade manufatureira apresentou desempenho desigual: cinco distritos relataram crescimento, ao passo que seis apontaram contração.
Já a demanda por serviços não financeiros foi considerada, de forma geral, estável ou com leve avanço, indicando alguma resiliência do setor.
No mercado de trabalho, o nível de emprego permaneceu praticamente inalterado. Oito dos doze distritos informaram que não houve mudanças relevantes nas contratações.
Ainda assim, vários distritos destacaram um aumento no uso de trabalhadores temporários, movimento que, segundo um dos contatos ouvidos pelo Fed, permite às empresas “manter a flexibilidade em tempos incertos”.
De acordo com o relatório, as contratações ocorreram majoritariamente para preencher vagas já existentes, e não para a criação de novos postos de trabalho.
O documento indicou que os preços continuaram subindo a um ritmo moderado na maioria dos distritos do Federal Reserve, com apenas dois registrando aumentos mais intensos. Ainda assim, a pressão sobre os custos associada às tarifas foi relatada de forma generalizada em todas as regiões, tornando-se um fator recorrente nos relatos das empresas.
Segundo o relatório, diversos fornecedores que inicialmente haviam absorvido os custos relacionados às tarifas passaram a repassá-los aos clientes, à medida que os estoques adquiridos antes da entrada das tarifas se esgotaram ou que a necessidade de preservar margens se tornou mais premente.
Apesar disso, em alguns setores — como varejo e alimentação — fornecedores demonstraram resistência em elevar preços, diante da maior sensibilidade dos consumidores a reajustes.