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Interferência no Fed elevaria inflação e juros, diz CEO do JPMorgan

Jamie Dimon defende independência da autoridade monetária e engrossa coro de Bancos Centrais pelo mundo

Jamie Dimon: "enorme respeito por Jay Powell" (Noam Galai /Getty Images)

Jamie Dimon: "enorme respeito por Jay Powell" (Noam Galai /Getty Images)

Ana Luiza Serrão
Ana Luiza Serrão

Repórter de Invest

Publicado em 13 de janeiro de 2026 às 15h49.

O mercado financeiro global está em sinal de alerta após o embate direto entre a Casa Branca e o Federal Reserve (Fed, banco central dos Estados Unidos). O CEO do JPMorgan Chase, Jamie Dimon, quebrou o silêncio e reiterou que qualquer interferência política no órgão elevaria a inflação e os juros.

Mexer nas decisões da entidade para atender a desejos momentâneos do governo é uma ideia perigosa que vai contra os próprios objetivos de crescimento econômico, segundo Dimon. Isso ocorre em meio a investidas do presidente americano Donald Trump no Fed, na tentativa de baixar os juros. A instituição é independente.

O tom subiu quando o presidente do Fed, Jerome Powell, revelou estar na mira de uma investigação do Departamento de Justiça dos EUA por causa de declarações antigas sobre reformas no prédio onde fica a sede do banco. 

Powell que a situação mostra uma escalada sem precedentes na pressão sobre a política monetária, com investidas de Trump tanto de forma privada quanto pública há meses. O governo também está tentando remover Lisa Cook da diretoria do Fed. 

No entanto, o executivo-chefe do JPMorgan não descarta erros do Fed. "Quero dizer que não concordo com tudo o que o Fed fez". Ele fez questão de ressaltar, porém, "enorme respeito por Jay Powell, o homem". Uma das vozes mais ouvidas de Wall Street, Dimon tem agido publicamente e nos bastidores para defender o Fed.

A preocupação de Dimon é compartilhada por outros gigantes das finanças. O diretor-financeiro do JPMorgan, Jeremy Barnum, alertou que se o mercado parar de acreditar que o Fed toma decisões baseadas em dados técnicos, o estrago não ficará restrito aos Estados Unidos, afetando a estabilidade econômica de todo o planeta.

Já o CEO do Bank of New York Mellon, Robin Vince, engrossou o coro, afirmando que essa pressão política fere a credibilidade do mercado de títulos. Outro grupo de peso formado por ex-autoridades como Alan Greenspan, Ben Bernanke e Janet Yellen se uniu para classificar as investigações contra Powell como um uso político do sistema jurídico.

Chefes de bancos centrais de potências como o Reino Unido, Canadá e Coreia do Sul, além do próprio Banco Central do Brasil, assinaram uma declaração conjunta. O manifesto é claro ao dizer que a autonomia dessas instituições é a pedra angular para manter os preços estáveis e proteger os interesses da sociedade civil.

Em declaração, essas economias informaram que “a independência dos bancos centrais é a pedra angular da estabilidade de preços, financeira e econômica no interesse dos cidadãos que servimos.” Barnum afirmou, também, que “a questão maior é o dano às perspectivas econômicas americanas e, francamente, à estabilidade econômica global”.

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