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Quem tem medo da IA? Ações de empresas ameaçadas pela automação despencam

Movimento reflete temor generalizado sobre quem será capaz de sobreviver à automação e à concorrência tecnológica

Inteligência Artificial: preços dos ativos alcançaram níveis recordes, tornando o mercado extremamente sensível a qualquer notícia. (Getty Images/Getty Images)

Inteligência Artificial: preços dos ativos alcançaram níveis recordes, tornando o mercado extremamente sensível a qualquer notícia. (Getty Images/Getty Images)

Ana Luiza Serrão
Ana Luiza Serrão

Repórter de Invest

Publicado em 11 de fevereiro de 2026 às 08h19.

Última atualização em 11 de fevereiro de 2026 às 08h38.

O medo crescente em relação aos impactos da inteligência artificial penaliza as ações de empresas consideradas vulneráveis à nova tecnologia em Wall Street. O movimento envolve desde pequenas desenvolvedoras de software até grandes firmas de gestão de patrimônio.

Isso reflete um temor generalizado sobre quem será capaz de sobreviver à automação e à concorrência tecnológica, segundo fontes ouvidas pela Bloomberg. O cenário evidencia uma mentalidade de agir sem pensar e resolver depois, com novos produtos surgindo e incertezas quanto à viabilidade de vários modelos de negócios.

A instabilidade financeira foi sentida no mercado norte-americano após o lançamento de uma ferramenta de estratégia fiscal pela startup Altruist Corp., que foi o gatilho para que as ações da Charles Schwab Corp., Raymond James Financial Inc. e LPL Financial Holdings Inc. recuassem mais de 7% em um único dia.

Já as companhias europeias St James’s Place Plc e AJ Bell Plc registraram quedas de 11% e 5,4%, respectivamente. Enquanto isso, a francesa Dassault Systemes viu seus papéis despencarem 22% após resultados que reforçaram o temor de que a empresa seja atingida pela competição com a IA, para analistas do JP Morgan ouvidos pela agência.

De vencedores a possíveis deslocados

Se anteriormente o foco estava em identificar as empresas que liderariam a corrida tecnológica, agora o objetivo parece ser evitar qualquer companhia que apresente o menor risco de ser substituída.

Algo que o CEO da GraniteShares Advisors, Will Rhind, vê com preocupação, já que o mercado passou de uma fase de busca por casos de uso da IA para uma fase em que a descoberta de aplicações poderosas está gerando interrupções reais e imediatas, relatou à agência.

Além do setor de software, os ramos de serviços financeiros, gestão de ativos e serviços jurídicos enfrentaram baixas após ferramentas da Anthropic desencadearem uma rota nas ações dessas áreas.

No setor de seguros, a plataforma Insurify lançou um aplicativo que utiliza o ChatGPT para comparar taxas de seguros de automóveis, o que impactou diretamente as corretoras norte-americanas, enquanto a arquitetura da ferramenta Hazel, da Altruist, no campo da gestão de patrimônio, promete automatizar funções.

O CEO da Altruist, Jason Wenk, disse à Bloomberg que a tecnologia pode realizar esses trabalhos de forma eficaz por apenas US$ 100 mensais, o que sinaliza uma ameaça competitiva profunda para as firmas tradicionais.

Ceticismo e valuations esticados

Com uma visão mais moderada, o CEO da Gerber Kawasaki, Ross Gerber, declarou à agência de notícias que a angústia em relação aos "perdedores da IA" é prematura, visto que as companhias estão nos estágios iniciais da tecnologia e é difícil prever com precisão o cenário para os próximos cinco anos.

O gestor de fundos da Gabelli Funds, John Belton, ressaltou, ainda, que a interrupção tecnológica costuma levar mais tempo para se concretizar do que o mercado antecipa, citando à Bloomberg exemplos históricos na indústria bancária que resistiram a inovações anteriores.

"Todas as empresas com algum tipo de risco potencial de disrupção estão sendo vendidas indiscriminadamente."John Belton, gestor de fundos da Gabelli Funds

O que torna o mercado extremamente sensível a qualquer notícia que possa ser interpretada como negativa. Rhind reforçou, na mesma linha, que, em um mercado com valuations tão esticados, qualquer sinal de desvantagem é suficiente para provocar quedas de 10% que não ocorreriam em condições normais.

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